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Do meu lado

Estava almoçando em um restaurante self-service. Almoço rápido. Sozinha.

A mesa era pequena, para duas pessoas. Tenho evitado pegar no celular durante o almoço, mesmo estando sozinha. As mesas são bem próximas nesse restaurante. Ao meu lado, outra mesa para duas pessoas.

Sentam-se duas mulheres. Começam a conversar. Coisas banais do dia a dia. Impossível não ouvir.

Até que uma delas, a que estava ao meu lado, a distância entre nossas mesas não devia passar de uns vinte centímetros, tira uma caneta e espeta na própria barriga.

Eu olhei para aquilo sem querer acreditar no que estava vendo. Rapidamente pensei nas canetas emagrecedoras, mas também pensei que ela poderia ser diabética.

Peguei meu celular e procurei imagens de canetas emagrecedoras. Era uma delas. Rapidamente, olhei para a mão da moça que havia usado a caneta.

Era uma mão cadavérica, muito magra. Tentei disfarçar. Não queria mostrar que estava olhando. Mas não consegui.

Depois de ver aquela mão magérrima, olhei para o rosto dela. Também muito magro. Os ossos da maçã do rosto estavam salientes. Não sei que idade ela tinha. Uma mulher madura, com certeza.

Terminei meu almoço e saí dali com aquela cena na cabeça e com muitas interrogações sem resposta imediata.

E pensando…

Que valores estão vivos hoje?

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo, talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.

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A vida cansa

Eu estou cansado, mas gosto quando sou anestesiado, mais um episódio do novo seriado, sobre um cara cansado que gosta de seriados. É triste esperar a morte chegar, sem algo que me faça perceber que a vida vai acabar.

As vírgulas estão no lugar errado? Já não me importo, tudo é passado, nada é pra sempre. O fim vai chegar, Deus há de se vingar, Deus precisa me ensinar a não falar o nome de Deus em vão.

Perdão!

Vão embora antes que eu comece a despejar as minhas mágoas imaginárias, nascidas de diálogos da temporada passada do seriado sobre um cara cansado. Eu tô cansado pra caralho, me sinto repetitivo, introspectivo, é sempre terça-feira, seja domingo ou segunda, tudo acontece, nada muda.

Muda de canal? Eu me sinto tão mal, com essas cenas irreais, eu já vi esse final, parece que eu sou o ator principal, esperando a morte, vivendo num espiral, o traje é casual, o trabalho é formal, o cansaço descomunal.

Ninguém sabe como me sinto, mas a minha dor é tão igual a de outros bilhões de atores principais, esperando o fim de suas vidas banais, nos achando reis, mas não somos nada mais que poeira interestelar, numa pequena esfera, vagando perdida no ínfimo e íntimo sistema solar.

Não cabe a mim julgar, mas será que minhas palavras podem viajar pelo infinito e alcançar o coração solitário de algum outro ser cansado do outro lado da imensidão que brilha na tela do seu celular?

Lucas Alberti Amaral – Belo urbano, nascido em 08/11/87. Publicitário, tem uma página onde espalha pensamentos materializados em textos curtos e tentativas de poesias  www.facebook.com/quaseinedito  (curte lá!). Não acredita em horóscopo, mas é de Escorpião, lua em Gêmeos com ascendente em Peixes e Netuno na casa 10. Por fim odeia falar de si mesmo na terceira pessoa.