O Poeta não escreve poesias, ele sangra sentimentos, como pétalas jogadas ao vento, sente o que escapa de seu coração.
Suas poesias ou suas palavras são como o sangue que jorra de suas veias, rimam para quem lê, desfalecem que as escreve.
Ele se perde nestes momentos como quem desce vagarosamente ao chão dos sentimentos, não em uma escada bem estruturada, mas em uma encosta de cascalhos e rochedos.
Não teme a descida, vê a muralha de rocha em sua frente, e passo a passo, mão a mão se deixa levar por esta poesia.
O poeta não espera encontrar nada no fundo daquele precipício, não sabe se vai voltar ou se permanecerá perdido no fundo do abismo, ele apenas vai. Em suas veias jorram os mais delicados versos, controversos, muitas vezes sobre o que sentia, ele dá vazão e até alimenta aquela agonia.
Muitas vezes se pergunta se sente a dor ou a provoca com alegria, as lágrimas que escorrem de seu rosto, de certa forma, é uma atuação de sua poesia.
O poeta não sente a dor da mesma forma que sente a alegria, a alegria o distrai e não gera seus versos, já a dor, a dor transforma o sentimento em poesia.
Agora jogado no fundo do poço, quase morto de agonia, sentindo o que dizem ser depressão e ele entendendo que isso é poesia,
não vê razão para sair daquela condição de vida, afinal, ele foi ate lá, alimentando a sua dor com versos e rimas.
Quem olha de fora do seu mundo vê um viciado, que busca desesperado sentir o que sentia, mas não, não sente mais.
Acostumou-se ao cinza do dia, acostumou-se a escuridão dos seus pensamentos. Não, o poeta não escreve poesia, ele sente versos e escreve agonia.

André Araújo – Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindo. Autor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.