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Você já foi noiva ou o noivo de uma festa junina?

Você já foi noiva ou o noivo de uma festa junina?

Boa pergunta!
Festas juninas – e seguindo a vivência re…programada!
Devido ao momento explosivo e com caução necessária, para que bombas não nos invalidem o diafragma… E seguindo uma programação determinada!
E seguindo e também atuando sobre as consequências do novo!
E seguindo com incertezas e com respeito pessoal, cívico e social!
… Boa leitura  para todos nós, e que possamos nos somar em nosso intenso fogueiral (criei) interno, já que não teremos os fogueirais otimizados!

Será que não?
E aqueles seres serelepes, que não obedecem, e que estão se regalando na birra antissocial e soltam balões e balões…
Bem… Os balões que não se encaixam com a aliança de duas almas!
Cuidado para não nos queimarmos em nossas decisões, pois podemos arder em bolhas de 1º, 2º, ou 3º grau!
Não queremos marcar a nossa pele e, elas marcam para sempre… Independente das plásticas que virão!

A plástica não esconde de nós mesmos as marcas que são as cicatrizes de nossa alma!
O custo dos volteios (leia-se plásticas/corretivos) ficam bem caro$$$$$$ e do jeito que a coisa vai… Sabemos todos de que o buraco é mais fundo!
Vamos lá!
Que a paçoquinha nos faça assoprar para um lado com menos vento… E que possamos sentir o sabor sem sofrimento…
E que o fogo de nosso dentro seja o calor de nosso alento, empatia e respeito pelos “santos” é só isso que peço!

Que a aliança seja feita com eles:
Santo Antônio – dia 13/06
São João – dia 24/06
São Pedro – dia 29/06
Salve a sua vida para que outras sejam salvas!

Joana d’Arc Neves de Paula – Educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposentar-se do calor e  da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

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Enquanto desapareço no horizonte

Você atravessou a rua e me acenou desconcertada no final daquela manhã. Foi a última vez que te vi. Dilacerado, apertei o passo desviando de mim entre olhares estranhos. A rua estava cheia. Por um instante tudo era estranho pra mim. Assinamos os papéis e cedemos ao último abraço. Não conseguia desgrudar do peito meu corpo se despedindo do teu. Pra nunca mais viveria a memória do teu corpo no meu. Nunca mais o beijo, nunca mais teu cheiro, nunca mais teu gosto que eu bebia desmedidamente nas tardes sem fim. O tempo parou e se fez silêncio na orgia alucinada da cidade. Lentamente subi as escadas. Na plataforma embarco no último vagão e procuro o último banco. Era o mais perto que poderia estar de você enquanto desapareço no horizonte. Ao meu lado um banco vazio. Nele, despretensiosamente, um pingente de coração abandonado. Com cuidado o coloquei na palma da mão. Olhei pra ele demoradamente e vi nossa vida juntos passar freneticamente diante de mim com o último adeus. Mais um coração havia sido abandonado pelo caminho. Às vezes por descuido. Às vezes por vontade. Às vezes por demasiada proteção. Às vezes por não ecoar distante de idealizações presas ao passado. Na minha estação, cuidadosamente acomodei aquele coração perdido de volta ao banco vazio. Levantei e sem olhar pra trás saí do trem.

Gil Guzzo – é artista e vive carregando água na peneira. É um flaneur catador de latinhas. Faz da rua, das pessoas e da vida nas grandes cidades sua maior inspiração. Trabalha com teatro e fotografia. Adora cozinhar e ficar olhando distraidamente o mar. É alguém que não se resta a menor dúvida…só não se sabe do que…

 

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Ainda bem que tem o amanhã!

Pra gente acordar,
Pra viver novas 24h,
Pra abrir os olhos, enxergar o novo dia.

Ainda bem que tem o amanhã,
Pra repensar as ideias,
Pedir perdão e também pra ouvir desculpas! Para se perdoar.

Ainda bem!

Amanhã,
Mesmo que tudo tenha dado errado ontem e a cabeça cheia de dúvidas… o amanhã existe.

Ainda bem que o novo dia nos recarrega e nos mostra outros caminhos.
Ele deixa para o ontem as amarguras, as inquietações e as decepções…

O amanhã se encarrega de tudo!
De mostrar pra gente um erro ou mostrar que acertamos o caminho.
Ainda bem!

Ainda bem que há o amanhã e a solução para muitas coisas.

Pra quem vive, sempre haverá o amanhã!
Ainda bem que dá pra confiar nele e entregar as soluções.

O universo se move a nosso favor.

Ainda bem que tem o amanhã, pra secar as lágrimas, pra amenizar o luto, para acreditar novamente que é possível! Sim, é.

Tudo cura com o tempo: a ferida, a dor da perda, a tempestade, os enganos. A fé está lá, no amanhã.

Ainda bem.
Ainda bem que existe o novo dia. Que a terra gira e que a luz do Sol ilumina novamente Amanhã.

Ainda bem que tudo passa!!
Que tudo passará…
Que o que sentimos hoje, amanhã pode mudar.

Ainda bem que tem o amanhã.
Amanhã, saberemos.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

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A vida quer viver

Repentinamente, algo me levou a visitar o bosque da cidade. Caminhei lentamente por um corredor de árvores, como se cada passo me conduzisse a um encontro que eu ainda desconhecia. Sentei-me em um banco e permaneci em silêncio, permitindo que o tempo desacelerasse.

À minha volta, a vida seguia seu curso. Pessoas transitavam, crianças brincavam, pequenos animais percorriam seus caminhos. Meu olhar repousou sobre a vegetação à minha frente. Raios de sol atravessavam os vãos entre as folhas das árvores, desenhando feixes de luz que pareciam revelar a delicada trama entre o visível e o invisível.

Naquele instante, não havia nada a fazer, apenas estar. A natureza, em sua silenciosa presença, parecia dizer aquilo que as palavras jamais alcançam. Permaneci ali, deixando que o bosque me habitasse tanto quanto eu o contemplava.

Pouco a pouco, percebi-me como um portal por onde a vida passava e acontecia através de mim e apesar de mim. Já não era eu quem contemplava o bosque; de algum modo, o bosque também me contemplava. Restava apenas abandonar-me ao fluxo e consentir em ser com aquele lugar.

Foi então que me dei conta de que havia algo naquela experiência que era comum e compartilhado por todos os que ali estavam. No entanto, havia também algo irredutivelmente singular: um acontecimento que se dava somente naquele lugar íntimo onde minha existência encontrava o mundo. Ninguém poderia viver exatamente aquela experiência por mim.

Essa percepção conduziu-me a uma compreensão ao mesmo tempo delicada e inquietante: se um dia eu deixasse de existir, também desapareceria uma forma única de encontro com o mundo. Não o mundo em si, que continuaria seu curso, mas a possibilidade singular de ele manifestar-se através da minha existência.

A princípio, essa compreensão trouxe uma discreta tristeza. Em seguida, porém, transformou-se em alegria. Se cada existência é uma abertura única para o mundo, então também somos livres para habitar nossa própria maneira de ser, sem a exigência de corresponder à experiência de ninguém. E, da mesma forma, podemos permitir que o outro seja aquilo que somente ele pode ser.

Algo do outro e algo em mim permanecerão sempre para além daquilo que se pode conhecer. Há uma dimensão inapreensível, um mistério que resiste a toda tentativa de captura. Ainda assim, aquilo que se revela e se comunica no encontro é suficiente para que uma ponte seja construída entre nós.

Talvez seja justamente o indizível que torne o encontro verdadeiramente fecundo. O que não alcançamos compreender não representa uma falha da relação, mas a preservação da alteridade. É essa distância, habitada pelo mistério, que impede a fusão, sustenta o diálogo e permite que cada encontro amplie nosso modo de existir sem jamais anular a singularidade de quem somos.

Ao contrário, é porque preserva essa distância que o encontro se torna possível. Nesse espaço, ambos podem habitar sua própria verdade e, simultaneamente, abrir-se à presença do outro. O cuidado torna-se, assim, um lugar de acolhimento da alteridade, onde cada um pode ser para si sem deixar de ser com o outro. É nesse processo de individuação que o ser transborda para o mundo, atualizando sua potência de existir nos mais variados modos de expressão.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Psicóloga. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o mar.

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A Dor

Doía-lhe

Pés
dedos
unhas
as feridas
apertadas pelas sapatilhas

que tentou arrancar

SEM MACHUCAR AINDA MAIS

Não entendia
como alguém poderia
guardar tanta DOR
e ainda sorrir

Deu-lhe repentinamente uma euforia
Iria encontrar quem lhe amava
Iria afagar-lhe os cabelos
beijar os lábios
descansar o dorso

Já havia tempo que não o via

Queria lhe contar sobre novos passos
nova dança
nova apresentação

mas acima de tudo
queria beijar-lhe os lábios
sentir seu cheiro
descansar seu corpo

Bateu-lhe um ARREPIO
uma mentira
tantos desafios
e ainda escondia

Era-lhe melhor
a dor da sapatilha

André Araújo – Homem em constante construção. Romântico por natureza, apaixonado pela vida e pelo universo das Belas Urbanas. Formado em Sistemas, encontrou na poesia seu verdadeiro idioma. Carrega um sorriso de menino e um olhar sensível para a beleza das pequenas coisas. Sempre se emociona ao ver o sorriso de uma mulher iluminar o mundo. É autor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

 

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Quase Acreditei

— Bom dia, doutor.

— Bom dia. Qual é o seu nome mesmo?

— Fernanda… Mas eu já venho há uns três anos. Não lembra?

— Ah, é muita gente.

— Bom… O que te traz aqui?

— Doutor, estou com uma dor na planta do pé esquerdo.

— Sei… Você sabe que é normal, na sua idade, já começar a sentir dores. Você sabe, né? Depois de uma certa idade, a sarcopenia chega, o sedentarismo, o sobrepeso…

— Sim, doutor. Posso estar com sobrepeso, mas não sou sedentária.

— Vamos fazer um raio-X.

Lá vou eu fazer o raio do raio-X.

Volto, e ele, não contente, continuou:

— Vamos ver… É… Existe uma inflamação… Mas, como eu estava dizendo, sabe como é, né? A terceira idade… Na verdade, já está na sexta idade. Daí pra pior.

No meu pensamento:

“Mas tenho 56! Sou terceira idade?”

— Então, recomendo fazer exercício num estúdio. É pequeno e podem te orientar e te ajudar…

— Mas, doutor, eu faço academia, musculação.

— Sim… Mas quem sabe uma hidroginástica? Muito boa pra terceira idade…

Eu pensando novamente:

“Por que ele repete o tempo todo sobre a terceira idade se eu nem cheguei lá ainda?”

Respondi:

— Doutor, assim o senhor vai me fazer chorar. (Na ironia.)

— Que é isso? É assim mesmo. Aliás, vamos aproveitar e fazer mais um raio-X do quadril e da coluna, porque, na sua idade, já tá ruim.

Lá fui eu, depois de 40 minutos de bombardeios etaristas.

Voltei ao consultório.

— É… Está, sim, com um pouco de artrose. Mas, olha, é assim mesmo. Vamos suplementar. A senhora já está com uma certa idade…

Me entregou a receita e disse:

— Te arrasei? Não, né?

Me despedi, fechei a porta da sala e fui andando pela rua, pensando…

É, tá na hora de me aposentar.

Por alguns instantes, quase acreditei.

Macarena Lobos –  Formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 25 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes, roteirista e produtora do podcast Maca Comunica. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frente. 

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Piracaia Hotel

Entes queridos, incansáveis passos sobre o chão de madeiras corridas, cozinha de chão batido, fogão de lenha, bule esmaltado exalando o cheirinho do café…

Um dia, por impulso, troquei tudo por caminhos sem laços de afagos desejando encontrar outro céu e viver sem elos de amparos, sem ter hora para voltar, segui pela estrada aberta me iludindo com miragens,
me perdi.

Decidi voltar atrás…

Encontrei ninguém não, mesmo que ainda estejam lá, já estão além.

Encontrei apenas o ranger das madeiras e histórias incrustadas nas entranhas de tantas paredes.

Me tornei um ser único que vaga acompanhado por sombras e gemidos.

Sigo levemente para não despertar ninguém, para não desenterrar o mundo, para não renascer o absurdo.

Caminho entre os talheres e os panos de prato empoeirados sobre a mesa, entre a natureza morta dos quadros ainda pendurados e esquecidos nas paredes.

Caminho como quem caminha no além mar, ando deixando pegadas que um dia foram firmes.

No canto da varanda do alto da escadaria a velha rede balançando, aguardando minha volta.

(PIRACAIA HOTEL foi hotel residência, propriedade da minha família da década de 40 até início de 1978).

Cristina Bonetti – Piracaiense, amante da literatura e de música clássica desde a infância. Filha e neta de escultores. Fã de Manoel Bandeira, Fernando Pessoa, Paulo Coelho e Pablo Neruda. Poetisa, artista plástica e publicitária. Co-autoria Paulo Monteiro no verso final.

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Uma conversa com meu eu

Encontrei-me
Tomamos café
Batemos papo
Rimos

Perguntei-me
Deu certo?
Sim, conseguimos
Estamos curados?
Não, não tem diferença

Mudamos as nossas crenças
Assim sem mais nem menos?
Não, aos poucos aprendemos.
E entendemos o que era aprender?
Sim, era não lutar, esquecer !

Queria falar mais!
Não dá tempo
Espere
Não posso,
Adeus, até logo

Vir-me indo
Senti saudades
Queria que ficasse
Estava apresado a sair
Entendi tantas vezes
Que preferi desistir

André Araújo –  Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindoAutor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

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Fragmentos de um diário – 36 – Procrastinando

Ainda, apenas… Dia azul de inverno, sempre gostei. O barulho da máquina de lavar, ao fundo, mistura-se com a música que escuto enquanto escrevo…. “sabemos muito a nosso respeito” é o que diz a música agora.

E eu aqui pensando, procrastinando também. Há dias que só quero pensar, e pensar consome energia. Aliás, tenho buscado informações sobre energia; ando aprendendo sobre isso, e estudar esse tema é interessante.

A máquina parou de bater e a música se destaca; é outra agora que diz “hoje eu preciso ouvir qualquer palavra sua…”. Interessante.

As conexões do mundo… por isso hoje estou mais “pensante” que “fazente”, mas tenho tanto a fazer… preciso. Compromissos para serem cumpridos que são compridos.

Coragem menina.

Giza Luiza – 56 anos – 26 de julho – quinta-feira.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.Adriana Chebabi

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Fronteira Verde

Amanda e Igor despertaram. Era um dia claro, ensolarado. A primavera já
estava à vista, e não fazia nada de frio naquela manhã. Os dois sabiam que
enfrentariam um dia difícil, mas tentavam não pensar no pior; afinal, tinham um
plano a seguir. O plano, porém, era bem ambicioso: passar uma fronteira sem
serem vistos.

Tinham chegado de trem à cidadezinha de Portbou, fronteira entre a
Catalunha e a França, país que queriam atravessar. Mas não seria possível
continuar a viagem de trem, e o motivo era o seguinte: ele, com passaporte da
Iugoslávia, então em guerra para se separar em Estados menores, e ela, com
passaporte brasileiro, não tinham conseguido o visto para entrar na França.
Igor tinha providenciado um mapa detalhado da zona; estava preparado.

Amanda e Igor despertaram. Era um dia claro, ensolarado. A primavera já
estava à vista, e não fazia nada de frio naquela manhã. Os dois sabiam que
enfrentariam um dia difícil, mas tentavam não pensar no pior; afinal, tinham um
plano a seguir. O plano, porém, era bem ambicioso: passar uma fronteira sem
serem vistos.

Amanda também se sentia pronta para começar este novo caminho, contemplava
Igor ao seu lado e não precisava de nada mais. Eles se conheceram há uns meses,
na efervescente cidade de Sevilha, onde tudo estava acontecendo. Era 1992, ano
da Exposição Universal de Sevilha, evento em que Amanda trabalhava.

Nesse tempo, a cidade explodia em músicas de todos os tipos; a juventude
se reunia, com ou sem instrumentos, nas ruas e praças. No bairro do Arenal
muitos passavam a noite tocando no pátio da “La Moneda”, antiga fábrica de
impressão de moedas, perto do rio Guadalquivir, que foi um importante porto de
entrada de metais preciosos provenientes das Américas nos séculos XVI e XVII.

Quando Amanda e Igor se encontraram, souberam que caminhariam lado a lado
para sempre. Meses depois, decidiram partir juntos.

A ideia do jovem casal não era ficar na França, mas cruzá-la para chegar à
Itália e depois ir à Eslovênia. Assim, Igor, ex-militar e músico, sugeriu passar pela
fronteira verde, contornando-a pelos bosques e montanhas para evitar os
controles e chegar, assim, à França, onde pegariam um trem até a fronteira com a
Itália, em que aplicariam a estratégia novamente.

Caminharam nos arredores de Portbou e, quando viram que a fronteira já
estava próxima, desviaram o caminho e entraram num bosque, onde seguiram
uma trilha de montanha. Iam caminhando com cuidado quando Igor disse a
Amanda: “— Esconde o lenço vermelho, chama muita atenção.” Amanda retirou a
tiara vermelha da cabeça e guardou-a rapidamente na mochila.

E assim começou a história de Amanda e Igor; duas pessoas muito jovens,
duas mochilas, dois violões e um sonho imenso.
Continuará… ?

“Fronteira Verde” é uma história de ficção baseada em fatos reais.

Gisela Chebabi Abramides – Bela Urbana. Vive no bairro de ”La Floresta” (Barcelona) – Catalunha – Espanha. De todas as artes amante. Das ciências experimentais docente. Do Brasil, saudade permanente.