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Uma conversa com meu eu

Encontrei-me
Tomamos café
Batemos papo
Rimos

Perguntei-me
Deu certo?
Sim, conseguimos
Estamos curados?
Não, não tem diferença

Mudamos as nossas crenças
Assim sem mais nem menos?
Não, aos poucos aprendemos.
E entendemos o que era aprender?
Sim, era não lutar, esquecer !

Queria falar mais!
Não dá tempo
Espere
Não posso,
Adeus, até logo

Vir-me indo
Senti saudades
Queria que ficasse
Estava apresado a sair
Entendi tantas vezes
Que preferi desistir

André Araújo –  Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindoAutor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

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Fragmentos de um diário – 36 – Procrastinando

Ainda, apenas… Dia azul de inverno, sempre gostei. O barulho da máquina de lavar, ao fundo, mistura-se com a música que escuto enquanto escrevo…. “sabemos muito a nosso respeito” é o que diz a música agora.

E eu aqui pensando, procrastinando também. Há dias que só quero pensar, e pensar consome energia. Aliás, tenho buscado informações sobre energia; ando aprendendo sobre isso, e estudar esse tema é interessante.

A máquina parou de bater e a música se destaca; é outra agora que diz “hoje eu preciso ouvir qualquer palavra sua…”. Interessante.

As conexões do mundo… por isso hoje estou mais “pensante” que “fazente”, mas tenho tanto a fazer… preciso. Compromissos para serem cumpridos que são compridos.

Coragem menina.

Giza Luiza – 56 anos – 26 de julho – quinta-feira.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.Adriana Chebabi

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Fronteira Verde

Amanda e Igor despertaram. Era um dia claro, ensolarado. A primavera já
estava à vista, e não fazia nada de frio naquela manhã. Os dois sabiam que
enfrentariam um dia difícil, mas tentavam não pensar no pior; afinal, tinham um
plano a seguir. O plano, porém, era bem ambicioso: passar uma fronteira sem
serem vistos.

Tinham chegado de trem à cidadezinha de Portbou, fronteira entre a
Catalunha e a França, país que queriam atravessar. Mas não seria possível
continuar a viagem de trem, e o motivo era o seguinte: ele, com passaporte da
Iugoslávia, então em guerra para se separar em Estados menores, e ela, com
passaporte brasileiro, não tinham conseguido o visto para entrar na França.
Igor tinha providenciado um mapa detalhado da zona; estava preparado.

Amanda e Igor despertaram. Era um dia claro, ensolarado. A primavera já
estava à vista, e não fazia nada de frio naquela manhã. Os dois sabiam que
enfrentariam um dia difícil, mas tentavam não pensar no pior; afinal, tinham um
plano a seguir. O plano, porém, era bem ambicioso: passar uma fronteira sem
serem vistos.

Amanda também se sentia pronta para começar este novo caminho, contemplava
Igor ao seu lado e não precisava de nada mais. Eles se conheceram há uns meses,
na efervescente cidade de Sevilha, onde tudo estava acontecendo. Era 1992, ano
da Exposição Universal de Sevilha, evento em que Amanda trabalhava.

Nesse tempo, a cidade explodia em músicas de todos os tipos; a juventude
se reunia, com ou sem instrumentos, nas ruas e praças. No bairro do Arenal
muitos passavam a noite tocando no pátio da “La Moneda”, antiga fábrica de
impressão de moedas, perto do rio Guadalquivir, que foi um importante porto de
entrada de metais preciosos provenientes das Américas nos séculos XVI e XVII.

Quando Amanda e Igor se encontraram, souberam que caminhariam lado a lado
para sempre. Meses depois, decidiram partir juntos.

A ideia do jovem casal não era ficar na França, mas cruzá-la para chegar à
Itália e depois ir à Eslovênia. Assim, Igor, ex-militar e músico, sugeriu passar pela
fronteira verde, contornando-a pelos bosques e montanhas para evitar os
controles e chegar, assim, à França, onde pegariam um trem até a fronteira com a
Itália, em que aplicariam a estratégia novamente.

Caminharam nos arredores de Portbou e, quando viram que a fronteira já
estava próxima, desviaram o caminho e entraram num bosque, onde seguiram
uma trilha de montanha. Iam caminhando com cuidado quando Igor disse a
Amanda: “— Esconde o lenço vermelho, chama muita atenção.” Amanda retirou a
tiara vermelha da cabeça e guardou-a rapidamente na mochila.

E assim começou a história de Amanda e Igor; duas pessoas muito jovens,
duas mochilas, dois violões e um sonho imenso.
Continuará… ?

“Fronteira Verde” é uma história de ficção baseada em fatos reais.

Gisela Chebabi Abramides – Bela Urbana. Vive no bairro de ”La Floresta” (Barcelona) – Catalunha – Espanha. De todas as artes amante. Das ciências experimentais docente. Do Brasil, saudade permanente.

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Chorei errado

E eu que chorei errado, sem perceber que não era sorrindo que apresentava a minha dor.

Fui chorando para todos os lados e todos ao meu redor sorrindo do meu sofrer.

Vi seus olhos atentos perceberem o que havia em mim por dentro: que o sorriso era um choro errado, que eu estava magoado e sozinho.

Você ficou bem perto de mim, sem falar nada estendeu a sua mão, olhou firme meus olhos e me entregou seu coração.

Em vez de chorar errado, neste dia eu sorri errado. Dos meus olhos escorreram lágrimas de alegria, apenas porque você havia me enxergado.

Não disse uma palavra, como eu poderia dizer, com tanto sorriso engasgado, apenas deixei fluir o que estava em mim represado.

André Araújo  Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindoAutor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

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Terra

No começo, a terra era uniforme e vazia,
mas quis Deus colocar nela os seres que até então não existia.

Deus criou o sol, a água, a lua e criou rios, mares, oceanos e a sua maior maravilha, sua obra prima o ser humano.
Encheu a terra de plantas, frutos e flores tão belas e, para que o homem não ficasse só, fez a mulher, a criatura mais singela.

Voando um pouco no tempo, vamos viver agora o nosso momento.
Hoje o mundo é diferente, como cresceu! Nossa, quanta gente!

Mas alguma coisa não esta certa, não esta legal!
Pois são poucos com muito e a maioria nem se quer tem um quintal.

Quando Deus fez o mundo, não foi isso que Ele planejou; era para todos terem sua terra, como ele determinou.

Mas o homem egoísta, que procura ter mais e mais, se esqueceu o que Deus disse:
“Que a terra era para todos terem alimento em abundância e viverem sempre em PAZ”.

Vergílio Aparecido da Fonseca – Um trabalhador, zelador de um condomínio, que ama cantar na igreja, jogar truco e cantar no videokê


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Uma única palavra

Atuar em teatro tem sido um sonho construído desde menina, passo a passo. E quando comecei no teatro profissional, aí e que percebi o quebra cabeça de permanecer na área. Um dos segmentos na área de artes cênicas que sempre tive o desejo de atuar foi na linguagem de audiovisual. Já fiz alguns trabalhos com pessoas que são artistas e não são conhecidas da mídia, porem teve um trabalho que fui indicada para uma audição do filme Salve Geral de Sergio Resende, um diretor de renome.

Fui para a audição em Paulínia, sem saber ao certo que cena eu faria. La um rapaz da produção pediu para eu realizar duas cenas diferentes, com o script dado na hora. Bom, comecei a sentir uma paura, assim que percebi como ia ser o teste. Comecei a pensar que estavam analisando inclusive o tempo de estudar as cenas e mostra-las. Ai de mim!

Bom, busquei formas de respirar para eu me acalmar. Levou um tempo que parecia uma eternidade, pensei em desistir, até que fui me acalmando e comecei a trabalhar nas cenas. Ufa! Terminei e fui até o profissional. Foi gravado as duas cenas que fiz. Senti um alivio por ter conseguido mostrar as duas cenas.

Passou um tempo e para minha grata surpresa, passei no teste. Fiquei entre 10 atrizes de 40 anos na época.

Fiz todo esse movimento e fui percebendo que no script da história, a única palavra que ia dizer como atriz era a palavra ASSASSINO em off, dentro de um contexto da minha personagem que foi a mãe da vítima no tribunal.

Na hora da cena, ao olhar o acusado me veio um sentimento tão intenso e visceral para dizer uma ÚNICA PALAVRA que depois até recebi um copo de água da gentil e generosa atriz Andrea Beltrão que fez a personagem principal, a mãe do acusado.

E finalmente rindo refleti sobre o exagero da cena que para a minha alegria ou ironia do destino, soube um tempo depois que o diretor Sergio Resende gostou da cena e me deixou aparecer nessa pontinha.

Vivo da profissão de Atriz que pede várias ações, um olhar de empreendedora que e um desafio para os artistas, consciência, entrega em cena, estratégias e preparo… e muitas vezes e desconfortável e transcende para além do ego que faz a gente pensar, qual é a essência do teatro. Quando penso na resposta dessa pergunta renasço como a fênix e sigo.

Andreia Stela – Atriz – DRT 011669-SP desde 1986, Contadora de Histórias desde 2007, Arte-educadora desde 2012 com Formação de Pedagogia em 2015. É do signo de leão e ama cantar.

 

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Um haikai sem limites como a guerra

Guerra e diplomacia

Bala e embalagem

Pólvora e feijão

Uma única crença

 

Guerra contra nação

Diplomacia embalada

Bala e Crença sem pão

Um cheiro de Pólvora

 

Diplomacia à bala

Pólvora embalada

Uma guerra de crença

Só o cheiro do feijão

 

Crença na bala

Feijão embalado

Guerra ao diplomado

Deus-pólvora cheira

Pó de rico branqueia

Respira conspiração

Espirra, condena e diz não

Crido Santos – Designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

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Há tempo

Chegou um tempo diferente sem muitos avisos.
De repente doem os joelhos, a caminhada ficou mais lenta. Pausas para respirar nas subidas. Pausas nas rotas de bicicleta.
Largou a vida lá fora, não TV, não notícias, não vida alheia.

O short jeans rasgado cobre o mesmo já marcado corpo. Pouco se olhar no espelho, agora faz parte.
Mala pronta, pequena, suficiente para o tempo que for. Viagem ao encontro de filhos, netas, família. Terras frias onde o mesmo sangue corre nas veias há décadas. Pais, avós, pessoas.
Agora a percepção é menos ansiosa, não se esperam grandes novidades, mesmo assim elas vêm de encontro.
Interior, tempo lento, vilas espaçadas, estradas intermináveis.

Ali se vive sem pressa, observando os dias , os meses, as mudanças de estação.
O frio recolhe cada um no seu canto. O calor do sol vem abrir portas e colocar todos na rua.
Pelas ruas estreitas uma alma aqui, outra ali.
Um bom dia, um café no barzinho da Tereza, único na Aldeia. Forasteira.

Aos poucos vai sabendo de quantos vieram pra cá recomeçar a vida. Criam grupos que falam uma só língua, nem sempre falada, mas sentida.
Os encontros, que são muitos, ela jura que atravessou um portal para os anos 70. Mulheres de tranca, roupas coloridas compridas, sorrisos congelados de “paz e amor”, num lugar que pode ser bar que vem junto com uma biblioteca, sofás espalhados, alguém num canto corta o cabelo de alguém, uma música celta talvez e línguas diversas.
Até ela se surpreende , viva e deixe viver.

Na casa colada vivem um holandês, uma inglesa com filho, um cachorro, dois gatos e uma desordem característica. Não tem compromisso com isso.
Mas sempre um bom dia e um sorriso. Basta.
Os bichos já fazem da casinha um lar.
Quando chegou e os filhos a deixaram de mala e sacolas na porta, susto. Largada.
Diferente dessa vez. Limpou, cuidou e fez um lar para viver os próximos 30dias.

Começou a explorar os infindáveis caminhos ora belos, ora tristes de uma realidade dos tempos: monocultura de eucaliptos qual palitos de fósforo esperando o próximo verão, onde vão arder e aguardar os bombeiros voluntários que serão exaltados por aplacar a estupidez plantada na terra.
Vida segue num tempo lento e desobrigado fazendo-a ler três livros em um mês. Costurando para as netas, plantando flores nos vasos de outros.
Caminhadas longas se perdendo e achando, levando-a à pequena Vila onde já há civilização. Cafés, lojas, mercados, pessoas, barulhos.
O retorno é silencioso de volta à casa.

Da mesa onde escreve vê as estreitas estradas por onde andou, como linhas no papel.
O som apenas de pássaros, galos ao amanhecer.
Saiu a aceleração, o compromisso, entrou o ócio o aproveitar o tempo, o simples, aproveitar a vida e não passar por ela.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana, jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

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Quando eu não estiver mais aqui….

O dia que eu não estiver mais aqui:
Espero que eu tenha me despedido de quem eu amo. Deixado meu beijo e meu amor a cada um.

Eu quero que fiquem memórias minhas dentro dos corações das pessoas.

Quero deixar meus textos e minhas palvras marcadas no papel e na alma de quem as ler.

Não quero homenagens póstumas. Quero só flores. Aceito o choro de quem quiser chorar. O riso de quem quiser rir. Mas que fiquem as minhas lembranças nas mentes das pessoas.

O dia que eu não estiver mais aqui….
A vida continua.
Estarei em cada filho e neto. Correrá nas veias deles o meu sangue. Minha herança. Traços, linhagens…

Mas eu ainda vivo!
Apesar de saber que vou ao encontro da morte. Como todos nós. Cada dia a mais é um dia a menos.

Mas vivo com muita alegria de viver. Com muita vontade.

Tenho medo do futuro. Do que virá…
Um medo natural.
Mas o medo é de sofrer. Não de morrer.

QUERO muito que a minha vida possa ser longa. Que eu possa ver meus netos crescerem. Casarem. Que eu possa viver muitos sonhos que ainda tenho.

E quando eu não estiver mais aqui, deixarei saudades, acredito.
E levarei minha alma corajosa e a espiritualidade que busquei aqui…

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

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Franco passava

Na sua trajetória, ela teve um romance em tempos diferentes com Moacir, ou melhor, com dois Moacir,  dois romances.

Moacir um era sedutor nas palavras, profundo e sensível, usava isso a seu favor para compensar a falta de beleza exterior. Era um artista de despir almas pela internet, mas no tête-à-tête não era assim que funcionava. Um sedutor que, além das histórias emocionantes que contava da vida privada, destacando sua integridade rara, despertava nela uma admiração intensa, como uma chuva que lavava sua alma. Ele era uma pedra preciosa, é o que ela pensava. Sentia que aprendia com ele. Mesmo à distancia, ele alimentava tudo. Na presença, o beijo foi arrebatador.

Moacir dois era atrevido, não parava quieto. Relaxar era uma palavra que não estava no seu dicionário, queria engolir o mundo. Chorava no carro, no bar, e ela nem entendia se aquilo era tristeza ou sensibilidade exacerbada, mas talvez fosse só a cerveja mesmo, acentuada com a música ao fundo, ou talvez,  fosse tristeza contida que precisava da cerveja para disfarçar… haja cerveja para tanto. Descobriu lugares com ele, e isso era uma aventura deliciosa. Conheceu espaços inusitados. E o que falar do beijo? Ela gostava do beijo molhado e desprovido de vergonha que ele lhe dava.

Os beijos eram muito bons em ambos os casos, eram o melhor deles. Com o Moacir dois, houve muito mais beijos do que com o Moacir um. Com o Moacir dois, o romance durou mais que com o Moacir um, mas com o Moacir um, ela pensava que ele era sua alma gêmea, ledo engano. Com o Moacir dois, era tudo às claras desde o início, e nenhuma expectativa do para sempre, era um romance leve e diversão.

O Moacir um parecia tão legal… a expectativa foi grande por isso, mas, no presencial, percebeu que tinha questões com toque e era higiênico demais, daqueles que são “não me toques”.

O Moacir dois era “porra louca” e tinha essa linha tênue que flertava com o submundo. O perigo a seduziu.

Eram bem diferentes, só o nome era igual..

No fim das contas, Moacir um foi a decepção total, a expectativa alta, o bom moço, que de tão legal não foi real, e onde tudo parecia uma peça encenada em um espetáculo teatral superficial. O ator era ótimo até o segundo ato. Faltou conexão, emoção, sobrou enxaqueca.

O Moacir dois começou devagar, no atrevimento, roubou um beijo em cenário colorido e musical. Foi indo devagar, ganhou espaço, tinha pegada como se diz por aí, e, quando ela se deu conta, ele era um país inteiro para ela morar, até a guerra começar.

Moacir dois se dizia franco, mas ela rebatia e dizia que era para quem lhe convinha. Já Moacir um não dizia nada, nem que sim, nem que não. Talvez, no fundo, a questão fosse essa: ele não era sim nem não. Foi o que uma amiga dela disse, ouvindo a voz dele na mensagem do celular. Será? Pensava ela…

De será em será, a vida segue com histórias em territórios sem garantias.

Tudo passa, disse para Moacir dois, enquanto Franco passava por ali.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.