
Amanda e Igor despertaram. Era um dia claro, ensolarado. A primavera já
estava à vista, e não fazia nada de frio naquela manhã. Os dois sabiam que
enfrentariam um dia difícil, mas tentavam não pensar no pior; afinal, tinham um
plano a seguir. O plano, porém, era bem ambicioso: passar uma fronteira sem
serem vistos.
Tinham chegado de trem à cidadezinha de Portbou, fronteira entre a
Catalunha e a França, país que queriam atravessar. Mas não seria possível
continuar a viagem de trem, e o motivo era o seguinte: ele, com passaporte da
Iugoslávia, então em guerra para se separar em Estados menores, e ela, com
passaporte brasileiro, não tinham conseguido o visto para entrar na França.
Igor tinha providenciado um mapa detalhado da zona; estava preparado.
Amanda e Igor despertaram. Era um dia claro, ensolarado. A primavera já
estava à vista, e não fazia nada de frio naquela manhã. Os dois sabiam que
enfrentariam um dia difícil, mas tentavam não pensar no pior; afinal, tinham um
plano a seguir. O plano, porém, era bem ambicioso: passar uma fronteira sem
serem vistos.
Tinham chegado de trem à cidadezinha de Portbou, fronteira entre a
Catalunha e a França, país que queriam atravessar. Mas não seria possível
continuar a viagem de trem, e o motivo era o seguinte: ele, com passaporte da
Iugoslávia, então em guerra para se separar em Estados menores, e ela, com
passaporte brasileiro, não tinham conseguido o visto para entrar na França.
Igor tinha providenciado um mapa detalhado da zona; estava preparado.
Amanda também se sentia pronta para começar este novo caminho, contemplava
Igor ao seu lado e não precisava de nada mais. Eles se conheceram há uns meses,
na efervescente cidade de Sevilha, onde tudo estava acontecendo. Era 1992, ano
da Exposição Universal de Sevilha, evento em que Amanda trabalhava.
Nesse tempo, a cidade explodia em músicas de todos os tipos; a juventude
se reunia, com ou sem instrumentos, nas ruas e praças. No bairro do Arenal
muitos passavam a noite tocando no pátio da “La Moneda”, antiga fábrica de
impressão de moedas, perto do rio Guadalquivir, que foi um importante porto de
entrada de metais preciosos provenientes das Américas nos séculos XVI e XVII.
Quando Amanda e Igor se encontraram, souberam que caminhariam lado a lado
para sempre. Meses depois, decidiram partir juntos.
A ideia do jovem casal não era ficar na França, mas cruzá-la para chegar à
Itália e depois ir à Eslovênia. Assim, Igor, ex-militar e músico, sugeriu passar pela
fronteira verde, contornando-a pelos bosques e montanhas para evitar os
controles e chegar, assim, à França, onde pegariam um trem até a fronteira com a
Itália, em que aplicariam a estratégia novamente.
Caminharam nos arredores de Portbou e, quando viram que a fronteira já
estava próxima, desviaram o caminho e entraram num bosque, onde seguiram
uma trilha de montanha. Iam caminhando com cuidado quando Igor disse a
Amanda: “— Esconde o lenço vermelho, chama muita atenção.” Amanda retirou a
tiara vermelha da cabeça e guardou-a rapidamente na mochila.
E assim começou a história de Amanda e Igor; duas pessoas muito jovens,
duas mochilas, dois violões e um sonho imenso.
Continuará… ?
“Fronteira Verde” é uma história de ficção baseada em fatos reais.
Gisela Chebabi Abramides – Bela Urbana. Vive no bairro de ”La Floresta” (Barcelona) – Catalunha – Espanha. De todas as artes amante. Das ciências experimentais docente. Do Brasil, saudade permanente.