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Chorei errado

E eu que chorei errado, sem perceber que não era sorrindo que apresentava a minha dor.

Fui chorando para todos os lados e todos ao meu redor sorrindo do meu sofrer.

Vi seus olhos atentos perceberem o que havia em mim por dentro: que o sorriso era um choro errado, que eu estava magoado e sozinho.

Você ficou bem perto de mim, sem falar nada estendeu a sua mão, olhou firme meus olhos e me entregou seu coração.

Em vez de chorar errado, neste dia eu sorri errado. Dos meus olhos escorreram lágrimas de alegria, apenas porque você havia me enxergado.

Não disse uma palavra, como eu poderia dizer, com tanto sorriso engasgado, apenas deixei fluir o que estava em mim represado.

André Araújo  Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindoAutor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

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Terra

No começo, a terra era uniforme e vazia,
mas quis Deus colocar nela os seres que até então não existia.

Deus criou o sol, a água, a lua e criou rios, mares, oceanos e a sua maior maravilha, sua obra prima o ser humano.
Encheu a terra de plantas, frutos e flores tão belas e, para que o homem não ficasse só, fez a mulher, a criatura mais singela.

Voando um pouco no tempo, vamos viver agora o nosso momento.
Hoje o mundo é diferente, como cresceu! Nossa, quanta gente!

Mas alguma coisa não esta certa, não esta legal!
Pois são poucos com muito e a maioria nem se quer tem um quintal.

Quando Deus fez o mundo, não foi isso que Ele planejou; era para todos terem sua terra, como ele determinou.

Mas o homem egoísta, que procura ter mais e mais, se esqueceu o que Deus disse:
“Que a terra era para todos terem alimento em abundância e viverem sempre em PAZ”.

Vergílio Aparecido da Fonseca – Um trabalhador, zelador de um condomínio, que ama cantar na igreja, jogar truco e cantar no videokê


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Uma única palavra

Atuar em teatro tem sido um sonho construído desde menina, passo a passo. E quando comecei no teatro profissional, aí e que percebi o quebra cabeça de permanecer na área. Um dos segmentos na área de artes cênicas que sempre tive o desejo de atuar foi na linguagem de audiovisual. Já fiz alguns trabalhos com pessoas que são artistas e não são conhecidas da mídia, porem teve um trabalho que fui indicada para uma audição do filme Salve Geral de Sergio Resende, um diretor de renome.

Fui para a audição em Paulínia, sem saber ao certo que cena eu faria. La um rapaz da produção pediu para eu realizar duas cenas diferentes, com o script dado na hora. Bom, comecei a sentir uma paura, assim que percebi como ia ser o teste. Comecei a pensar que estavam analisando inclusive o tempo de estudar as cenas e mostra-las. Ai de mim!

Bom, busquei formas de respirar para eu me acalmar. Levou um tempo que parecia uma eternidade, pensei em desistir, até que fui me acalmando e comecei a trabalhar nas cenas. Ufa! Terminei e fui até o profissional. Foi gravado as duas cenas que fiz. Senti um alivio por ter conseguido mostrar as duas cenas.

Passou um tempo e para minha grata surpresa, passei no teste. Fiquei entre 10 atrizes de 40 anos na época.

Fiz todo esse movimento e fui percebendo que no script da história, a única palavra que ia dizer como atriz era a palavra ASSASSINO em off, dentro de um contexto da minha personagem que foi a mãe da vítima no tribunal.

Na hora da cena, ao olhar o acusado me veio um sentimento tão intenso e visceral para dizer uma ÚNICA PALAVRA que depois até recebi um copo de água da gentil e generosa atriz Andrea Beltrão que fez a personagem principal, a mãe do acusado.

E finalmente rindo refleti sobre o exagero da cena que para a minha alegria ou ironia do destino, soube um tempo depois que o diretor Sergio Resende gostou da cena e me deixou aparecer nessa pontinha.

Vivo da profissão de Atriz que pede várias ações, um olhar de empreendedora que e um desafio para os artistas, consciência, entrega em cena, estratégias e preparo… e muitas vezes e desconfortável e transcende para além do ego que faz a gente pensar, qual é a essência do teatro. Quando penso na resposta dessa pergunta renasço como a fênix e sigo.

Andreia Stela – Atriz – DRT 011669-SP desde 1986, Contadora de Histórias desde 2007, Arte-educadora desde 2012 com Formação de Pedagogia em 2015. É do signo de leão e ama cantar.

 

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Um haikai sem limites como a guerra

Guerra e diplomacia

Bala e embalagem

Pólvora e feijão

Uma única crença

 

Guerra contra nação

Diplomacia embalada

Bala e Crença sem pão

Um cheiro de Pólvora

 

Diplomacia à bala

Pólvora embalada

Uma guerra de crença

Só o cheiro do feijão

 

Crença na bala

Feijão embalado

Guerra ao diplomado

Deus-pólvora cheira

Pó de rico branqueia

Respira conspiração

Espirra, condena e diz não

Crido Santos – Designer e professor. Acredita que o saber e o sorriso são como um mel mágico que se multiplica ao se dividir, que adoça os sentidos e a vida. Adora a liberdade, a amizade, a gentileza, as viagens, os sabores, a música e o novo. Autor do blog Os Piores Poemas do Mundo e co-autor do livro O Corrosivo Coletivo.

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Há tempo

Chegou um tempo diferente sem muitos avisos.
De repente doem os joelhos, a caminhada ficou mais lenta. Pausas para respirar nas subidas. Pausas nas rotas de bicicleta.
Largou a vida lá fora, não TV, não notícias, não vida alheia.

O short jeans rasgado cobre o mesmo já marcado corpo. Pouco se olhar no espelho, agora faz parte.
Mala pronta, pequena, suficiente para o tempo que for. Viagem ao encontro de filhos, netas, família. Terras frias onde o mesmo sangue corre nas veias há décadas. Pais, avós, pessoas.
Agora a percepção é menos ansiosa, não se esperam grandes novidades, mesmo assim elas vêm de encontro.
Interior, tempo lento, vilas espaçadas, estradas intermináveis.

Ali se vive sem pressa, observando os dias , os meses, as mudanças de estação.
O frio recolhe cada um no seu canto. O calor do sol vem abrir portas e colocar todos na rua.
Pelas ruas estreitas uma alma aqui, outra ali.
Um bom dia, um café no barzinho da Tereza, único na Aldeia. Forasteira.

Aos poucos vai sabendo de quantos vieram pra cá recomeçar a vida. Criam grupos que falam uma só língua, nem sempre falada, mas sentida.
Os encontros, que são muitos, ela jura que atravessou um portal para os anos 70. Mulheres de tranca, roupas coloridas compridas, sorrisos congelados de “paz e amor”, num lugar que pode ser bar que vem junto com uma biblioteca, sofás espalhados, alguém num canto corta o cabelo de alguém, uma música celta talvez e línguas diversas.
Até ela se surpreende , viva e deixe viver.

Na casa colada vivem um holandês, uma inglesa com filho, um cachorro, dois gatos e uma desordem característica. Não tem compromisso com isso.
Mas sempre um bom dia e um sorriso. Basta.
Os bichos já fazem da casinha um lar.
Quando chegou e os filhos a deixaram de mala e sacolas na porta, susto. Largada.
Diferente dessa vez. Limpou, cuidou e fez um lar para viver os próximos 30dias.

Começou a explorar os infindáveis caminhos ora belos, ora tristes de uma realidade dos tempos: monocultura de eucaliptos qual palitos de fósforo esperando o próximo verão, onde vão arder e aguardar os bombeiros voluntários que serão exaltados por aplacar a estupidez plantada na terra.
Vida segue num tempo lento e desobrigado fazendo-a ler três livros em um mês. Costurando para as netas, plantando flores nos vasos de outros.
Caminhadas longas se perdendo e achando, levando-a à pequena Vila onde já há civilização. Cafés, lojas, mercados, pessoas, barulhos.
O retorno é silencioso de volta à casa.

Da mesa onde escreve vê as estreitas estradas por onde andou, como linhas no papel.
O som apenas de pássaros, galos ao amanhecer.
Saiu a aceleração, o compromisso, entrou o ócio o aproveitar o tempo, o simples, aproveitar a vida e não passar por ela.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana, jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

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Quando eu não estiver mais aqui….

O dia que eu não estiver mais aqui:
Espero que eu tenha me despedido de quem eu amo. Deixado meu beijo e meu amor a cada um.

Eu quero que fiquem memórias minhas dentro dos corações das pessoas.

Quero deixar meus textos e minhas palvras marcadas no papel e na alma de quem as ler.

Não quero homenagens póstumas. Quero só flores. Aceito o choro de quem quiser chorar. O riso de quem quiser rir. Mas que fiquem as minhas lembranças nas mentes das pessoas.

O dia que eu não estiver mais aqui….
A vida continua.
Estarei em cada filho e neto. Correrá nas veias deles o meu sangue. Minha herança. Traços, linhagens…

Mas eu ainda vivo!
Apesar de saber que vou ao encontro da morte. Como todos nós. Cada dia a mais é um dia a menos.

Mas vivo com muita alegria de viver. Com muita vontade.

Tenho medo do futuro. Do que virá…
Um medo natural.
Mas o medo é de sofrer. Não de morrer.

QUERO muito que a minha vida possa ser longa. Que eu possa ver meus netos crescerem. Casarem. Que eu possa viver muitos sonhos que ainda tenho.

E quando eu não estiver mais aqui, deixarei saudades, acredito.
E levarei minha alma corajosa e a espiritualidade que busquei aqui…

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

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Franco passava

Na sua trajetória, ela teve um romance em tempos diferentes com Moacir, ou melhor, com dois Moacir,  dois romances.

Moacir um era sedutor nas palavras, profundo e sensível, usava isso a seu favor para compensar a falta de beleza exterior. Era um artista de despir almas pela internet, mas no tête-à-tête não era assim que funcionava. Um sedutor que, além das histórias emocionantes que contava da vida privada, destacando sua integridade rara, despertava nela uma admiração intensa, como uma chuva que lavava sua alma. Ele era uma pedra preciosa, é o que ela pensava. Sentia que aprendia com ele. Mesmo à distancia, ele alimentava tudo. Na presença, o beijo foi arrebatador.

Moacir dois era atrevido, não parava quieto. Relaxar era uma palavra que não estava no seu dicionário, queria engolir o mundo. Chorava no carro, no bar, e ela nem entendia se aquilo era tristeza ou sensibilidade exacerbada, mas talvez fosse só a cerveja mesmo, acentuada com a música ao fundo, ou talvez,  fosse tristeza contida que precisava da cerveja para disfarçar… haja cerveja para tanto. Descobriu lugares com ele, e isso era uma aventura deliciosa. Conheceu espaços inusitados. E o que falar do beijo? Ela gostava do beijo molhado e desprovido de vergonha que ele lhe dava.

Os beijos eram muito bons em ambos os casos, eram o melhor deles. Com o Moacir dois, houve muito mais beijos do que com o Moacir um. Com o Moacir dois, o romance durou mais que com o Moacir um, mas com o Moacir um, ela pensava que ele era sua alma gêmea, ledo engano. Com o Moacir dois, era tudo às claras desde o início, e nenhuma expectativa do para sempre, era um romance leve e diversão.

O Moacir um parecia tão legal… a expectativa foi grande por isso, mas, no presencial, percebeu que tinha questões com toque e era higiênico demais, daqueles que são “não me toques”.

O Moacir dois era “porra louca” e tinha essa linha tênue que flertava com o submundo. O perigo a seduziu.

Eram bem diferentes, só o nome era igual..

No fim das contas, Moacir um foi a decepção total, a expectativa alta, o bom moço, que de tão legal não foi real, e onde tudo parecia uma peça encenada em um espetáculo teatral superficial. O ator era ótimo até o segundo ato. Faltou conexão, emoção, sobrou enxaqueca.

O Moacir dois começou devagar, no atrevimento, roubou um beijo em cenário colorido e musical. Foi indo devagar, ganhou espaço, tinha pegada como se diz por aí, e, quando ela se deu conta, ele era um país inteiro para ela morar, até a guerra começar.

Moacir dois se dizia franco, mas ela rebatia e dizia que era para quem lhe convinha. Já Moacir um não dizia nada, nem que sim, nem que não. Talvez, no fundo, a questão fosse essa: ele não era sim nem não. Foi o que uma amiga dela disse, ouvindo a voz dele na mensagem do celular. Será? Pensava ela…

De será em será, a vida segue com histórias em territórios sem garantias.

Tudo passa, disse para Moacir dois, enquanto Franco passava por ali.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.

 

 

 

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Blues do Djavan

Havia som. Era tarde da noite. A garrafa de vinho estava quase vazia.

Ríamos alto e sem pudor

De repente, fez-se um grande silêncio.

Sete segundos.

Ele se aproximou, olhou dentro dos meus olhos e sussurrou no meu ouvido:

“Não vamos desperdiçar os blues do Djavan”.

Recuei, olhei nos seus olhos, sorrindo timidamente. Me aproximei e respondi baixinho, quase encostando em seu ouvido:

“Não vamos desperdiçar os blues do Djavan”.

Rimos alto novamente.

Silêncio.

Três segundos.

Naquele dia, “caetaneamos’ até o sol raiar.

Claudia Chebabi Andrade – Pedagoga, bacharel em direito, especialista em psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre.

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Houve Sílvia Que Somente Ouve

Vou te fazer uma pergunta: o que é, para você, ouvir e escutar? Aliás, existe diferença?

Em meu trabalho, por muitas vezes incluo esta indagação. Faço isso para entender se as pessoas que estão ali comigo estão realmente presentes ou não. Isso mesmo: quero compreender se estão prestando atenção em mim ou “derivando” em algum local no seu próprio mundo mental.

Quando lanço essa pergunta, geralmente capto um silêncio profundo e um desconfortável ar de dúvida. O “mentalês” — nossa linguagem cerebral — entra em ação e a pessoa se auto indaga: “Mas será que tem diferença?”. Alguns começam a explicar e se enrolam; outros ficam à espera para ver se alguém acerta, pois não querem se arriscar a passar vergonha. Depois de muitas respostas, quando eu, finalmente explico o conceito, sempre surge aquela frase clássica: “É, eu já sabia, só queria ter certeza”.

Para além da teoria, essa diferença se manifesta na vida real. Para isso, vou contar sobre o encontro entre duas amigas: Rachel e Sílvia.

A tarde de sábado estava preguiçosa, o cenário perfeito para Rachel despejar sobre Sílvia as novidades da semana enquanto o café esfriava nas xícaras. Rachel falava com entusiasmo, gesticulando para dar vida à história sobre o jantar de noivado de uma prima distante, um evento que exigia um protocolo milimétrico. “Sílvia, preste atenção, porque isso é o mais importante: o convite dizia traje passeio completo, mas a noiva deixou claro que, por ser no jardim, ninguém deveria ir de salto agulha ou preto, além de avisar que o presente deveria ser entregue na casa dela, nunca no local da festa, para não causar confusão com a logística.”

Sílvia, por sua vez, estava ali. Fisicamente, pelo menos. Ela balançava a cabeça em intervalos regulares (bem típico de quem ouve, só ouve), emitia pequenos “ahã” e “claro” no tempo certo e também mexendo a cabeça como se estivesse confirmando, mantendo contato visual que beirava a perfeição. Seus ouvidos estavam sim, apenas, captando as vibrações sonoras da voz de Rachel, as ondas entravam pelo canal auditivo, faziam o tímpano vibrar e os pequenos ossos do ouvido interno trabalhavam como uma máquina bem lubrificada. O sistema biológico auditivo de Sílvia estava operando em capacidade máxima, captando cada decibel e frequência.

O problema é que, enquanto os ouvidos de Sílvia captavam o som, o foco e a atenção dela estava em outro lugar. Ela tratava o tom de voz da amiga apenas como um ruído de fundo reconfortante, enquanto sua mente debatia internamente (mentalês) se comprava ou não
aquela sandália preta de salto fino que vira na vitrine numa loja no caminho do encontro de Rachel. Para Sílvia, as palavras de da entusiasmada amiga eram como uma música em idioma estrangeiro: a melodia era agradável, porém a mensagem simplesmente não fazia sentido.

Bons momentos de conversa transcorreram, até que Rachel fez um breve silêncio e percebeu o olhar perdido da amiga, que continuava a balançar a cabeça afirmando algo que não havia sido perguntado. Rachel questionou, com um brilho de expectativa nos olhos: — E então, o que você acha que eu respondo para ela sobre o presente?

Sílvia, despertada do transe pela interrupção do fluxo sonoro, sorri com confiança absoluta e dispara: — Ah, amiga, acho que você deve ir de preto e levar o presente na hora, não tem erro!

O olhar de Rachel naquele momento foi um misto de decepção e epifania. Ela percebeu que, nos últimos vinte minutos, ela não tinha conversado com uma pessoa, mas sim com uma parede que sabia balançar a cabeça. Sílvia a não era má pessoa, ela apenas tinha caído na armadilha mais comum da vida moderna: ela ouviu tudo, mas não escutou absolutamente nada.

Essa cena, que acontece em milhares de salas de estar, mesas de café, almoço e jantar todos os dias, e revela uma verdade intrigante sobre nós. Além de sermos bombardeados por telas e sons o tempo todo, desenvolvemos a péssima habilidade que nos permite “ouvir” sem “escutar”. Ouvir é o que o seu corpo faz para te avisar que um carro está passando ou que a chuva está chegando com alguns trovões; é um processo fisiológico, automático e passivo e, na maioria das vezes, perdendo a essência do estar presente. Já escutar é um ato intencional com total foco de atenção é o real exercício de presença, um ato de respeito e educação onde você interage verdadeiramente com a outra pessoa compartilhando seus saberes de forma empática.

Esta é uma das grandes tragédias cotidianas que afligem os relacionamentos, sejam eles familiares, de amizade ou afetivos. Como diz o escritor: ‘as pessoas ouvem para responder, elas não escutam para entender’. Quando apenas ouvimos, captamos o barulho; quando escutamos, captamos e internalizamos o ser humano. No fim das contas, o café de Rachel esfriou, a mensagem se perdeu e, naquele sofá, houve Sílvia que somente ouve.”

Marselo com S –  Especialista Comercial e Comportamental, com 20 anos de experiência em Educação Corporativa, com inserção de conceitos das Ciências Comportamentais para explicar o porquê dos comportamentos. Fã de hard rock (Kiss), praticante dedicado em atividades físicas e de boas e bem humoradas conversas.

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O Que Eu Deixei

Deixei meu colar em algum lugar

Não acho

Perdi

Como perdi aquela prova de natação

Decepcionei o torcedor

Não gosto de competir

Medo de perder

Já caminhei com pedras na mão

Mas nunca carrego pedras no coração

No coração canções

Ontem eu dancei com você

Ontem…

Vontade com você

Tentação

Sem confusões, com confissões

Sem sentidos, beijos… pele…

Cabeça e corpo

Culpa ou desculpa?

Noites de verão depois de um carnaval.

Quentes

Amor de carnaval…

Fim do baile.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.