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É tempo de se viver

O relógio nos diz sobre o tempo cronológico medido por horas, dias, meses e anos. Desejo falar sobre um outro tempo, o qual podemos viajar através das memórias, pois elas nos remetem há momentos desde a infância até os dias atuais.

Neste tempo a vida pode passar como um filme e pode-se revisitar momentos de dor e alegria em alguns minutos ou horas. Quando isso ocorre fico a pensar que a vida tem a ver com intensidade e eternidade.

Ao observar a natureza notamos que a semente de uma árvore, contém em si todo o potencial necessário para que se desenvolva e torne-se uma linda árvore, todavia a árvore ao morrer deixará sementes. Fico a imaginar o movimento da vida como as ondas do mar que avançam para retornar, retornam para avançar.

Na dança da vida as vezes erramos o passo, outra vezes perdemos o ritmo e o rebolado, mas tudo faz parte do aprendizado de dançar a dois. Ao acertar o passo podemos bailar, assim como um casal de amantes com a leveza e sintonia. É sobre esse instante que pode dar sentido a uma vida que chamo de eternidade.

No filme “PERFUME DE MULHER”, há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela responde: “Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos…” Responde ele: “Mas em um momento se vive uma vida” conduzindo-a num passo de tango.

É sobre esse instante o qual pode dar sentido a uma vida que chamo de eternidade. Estar no fluxo da eternidade tem a ver com reconhecer a singularidade que cada um de nós somos no universo e no tempo. Logo cada um de nós expressa a diversidade da beleza que compõem a vida. Ao experimentarmos essa dimensão, tudo vai fazendo sentido e, passamos a nos implicar com cada decisão tomada durante a vida. É possível reconhecer que para cada decisão havia uma necessidade a ser atendida ou experimentada, a fim de se tornar que se é.

Movida por esse sentimento de eternidade, ao completar 60 anos, revisitei lugares onde morei especialmente da adolescência para frente, uma vez que a infância se passara em outra cidade. Foi uma experiência incrível; reviver as memórias de um tempo passado entrelaçado ao momento atual e, me reconciliar com todas as aquelas versões de mim, que me habitaram desde sempre. Reconhecer que sou somatória de todas elas, me preencheu de uma alegria, a qual fora bem descrita por Caetano, na música, Dom de Iludir: Cada um sabe a dor e a delícia. De ser quem se é.

Para terminar a minha reflexão te pergunto: E você já fez essa viagem no tempo? Sinta-se convidado.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Bela Urbana. Psicologa clinica. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o mar.

8 opiniões sobre “É tempo de se viver

  1. Faço essa viagem inúmeras vezes, desde pequenina até aos meus 72 anos

    1. Sim. Regressar nos permite perceber o progresso e generosidade da vida .
      Vc percebeu isso e vem se beneficiando. Parabéns querida.

  2. Muito bom, Graça!
    Sim, já revisitei várias vezes a minha infância e adolescência. Quando fiz esse movimento, retorno com outra compreensão e maior aceitação de como as coisas aconteceram. Nossos pais fizeram e nos deram o melhor que puderam na época. Desenvolvo o perdão para com eles, como também o autoperdão. Cometemos falhas por imaturidade, por termos certas crenças, por desatenção, por sermos humanos. Sou mãe, sempre gostei dessa função, cometendo acertos e erros. Vamos aprendendo sempre!

    1. Sim. Que bom você está aproveitando a viagem.
      Conseguir perdoar as pessoas e perdoar-se é libertador. Parabéns pelo aprendizado.

  3. Graça, que linda reflexão. É preciso visitar nossos mundos do passado e do presente para reconciliar se for preciso ou simplesmente deixar ir. Obrigado por essas palavras tão habilmente colocadas.

    1. Sim. Querido César. Paz tem a ver com reconciliação.
      Ao reconhecer a graça de Deus podemos afirmar como está escrito: Até aqui nos trouxe o Senhor.
      A maturidade tem seus privilégios, não é?Abraço.

  4. Boa noite Graça
    Essa reflexão me fez lembrar de como bom era a minha infância, a minha ingenuidade, a simplicidade como vivíamos , e a felicidade de ter tão pouco!
    Mas , sou grata a Deus e a minha mãe por ser quem eu sou hoje !
    Bjuss

  5. É muito bom entender o que nos trouxe para o presente. Parabéns pelo seu texto.

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