
Doía-lhe
Pés
dedos
unhas
as feridas
apertadas pelas sapatilhas
que tentou arrancar
SEM MACHUCAR AINDA MAIS
Não entendia
como alguém poderia
guardar tanta DOR
e ainda sorrir
Deu-lhe repentinamente uma euforia
Iria encontrar quem lhe amava
Iria afagar-lhe os cabelos
beijar os lábios
descansar o dorso
Já havia tempo que não o via
Queria lhe contar sobre novos passos
nova dança
nova apresentação
mas acima de tudo
queria beijar-lhe os lábios
sentir seu cheiro
descansar seu corpo
Bateu-lhe um ARREPIO
uma mentira
tantos desafios
e ainda escondia
Era-lhe melhor
a dor da sapatilha

André Araújo – Homem em constante construção. Romântico por natureza, apaixonado pela vida e pelo universo das Belas Urbanas. Formado em Sistemas, encontrou na poesia seu verdadeiro idioma. Carrega um sorriso de menino e um olhar sensível para a beleza das pequenas coisas. Sempre se emociona ao ver o sorriso de uma mulher iluminar o mundo. É autor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.