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Uma única palavra

Atuar em teatro tem sido um sonho construído desde menina, passo a passo. E quando comecei no teatro profissional, aí e que percebi o quebra cabeça de permanecer na área. Um dos segmentos na área de artes cênicas que sempre tive o desejo de atuar foi na linguagem de audiovisual. Já fiz alguns trabalhos com pessoas que são artistas e não são conhecidas da mídia, porem teve um trabalho que fui indicada para uma audição do filme Salve Geral de Sergio Resende, um diretor de renome.

Fui para a audição em Paulínia, sem saber ao certo que cena eu faria. La um rapaz da produção pediu para eu realizar duas cenas diferentes, com o script dado na hora. Bom, comecei a sentir uma paura, assim que percebi como ia ser o teste. Comecei a pensar que estavam analisando inclusive o tempo de estudar as cenas e mostra-las. Ai de mim!

Bom, busquei formas de respirar para eu me acalmar. Levou um tempo que parecia uma eternidade, pensei em desistir, até que fui me acalmando e comecei a trabalhar nas cenas. Ufa! Terminei e fui até o profissional. Foi gravado as duas cenas que fiz. Senti um alivio por ter conseguido mostrar as duas cenas.

Passou um tempo e para minha grata surpresa, passei no teste. Fiquei entre 10 atrizes de 40 anos na época.

Fiz todo esse movimento e fui percebendo que no script da história, a única palavra que ia dizer como atriz era a palavra ASSASSINO em off, dentro de um contexto da minha personagem que foi a mãe da vítima no tribunal.

Na hora da cena, ao olhar o acusado me veio um sentimento tão intenso e visceral para dizer uma ÚNICA PALAVRA que depois até recebi um copo de água da gentil e generosa atriz Andrea Beltrão que fez a personagem principal, a mãe do acusado.

E finalmente rindo refleti sobre o exagero da cena que para a minha alegria ou ironia do destino, soube um tempo depois que o diretor Sergio Resende gostou da cena e me deixou aparecer nessa pontinha.

Vivo da profissão de Atriz que pede várias ações, um olhar de empreendedora que e um desafio para os artistas, consciência, entrega em cena, estratégias e preparo… e muitas vezes e desconfortável e transcende para além do ego que faz a gente pensar, qual é a essência do teatro. Quando penso na resposta dessa pergunta renasço como a fênix e sigo.

Andreia Stela – Atriz – DRT 011669-SP desde 1986, Contadora de Histórias desde 2007, Arte-educadora desde 2012 com Formação de Pedagogia em 2015. É do signo de leão e ama cantar.

 

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Me reinventar?

Já tinha quarenta e alguns anos quando me olhei no espelho um dia e vi uma Carla diferente. Não eram os cabelos brancos, o bigode chinês profundo ou a maturidade em todos os sentidos me batendo na cara. Era, sim, uma mulher com uma filha adulta de quase 20 anos de idade que tinha acabado de sair de casa, um casamento praticamente da mesma idade e um emprego recém-largado também batendo na casa dos vinte.

Me assustei. Mas como sou uma mulher de decisões rápidas, pensei logo nas minhas alternativas. Me entregar à Síndrome do Ninho Vazio, deixar a rotina engolir mais ainda o meu casamento, aprender a costurar pra fora (nunca daria certo…rs) ou me reinventar?

Adivinha? Sim, foi nessa de querer, de novo, descobrir o mundo e conhecer mais sobre a vida que fui parar em São Paulo em um curso de especialização em Marketing Digital. A escola ficava na Vila Madalena e eu fiquei completamente apaixonada pelo bairro. Pra começar os nomes das ruas: Harmonia, Purpurina, Simpatia – achei que todas eram a minha cara!

Um dia resolvi ficar em São Paulo. Mas aonde? Com a grana curta, não queria encarar um hotel. Eu queria mesmo era uma aventura, segundo o meu marido. E assim me hospedei pela primeira vez em um albergue.

Hoje eles têm outro nome, chique: hostel. O que escolhi, Giramondo Hostel (https://www.giramondohostel.com.br/) é um simpático e acolhedor sobrado na rua Girassol administrado pelo queridíssimo Sandro Souza (https://www.facebook.com/sandro.souza.7503). E que hoje bomba por causa do Jazz no Hostel, evento que reúne boa música e comida com preço para ninguém reclamar.

Foto post Carla B

Entrei disposta, mas cheia de preconceito. Pensei que os hóspedes eram todos mochileiros e que estavam por ali só de passagem. Quebrei a cara, logo de cara! Alguns são viajantes, outros acabaram de chegar para procurar emprego e uma nova casa. E a maioria, pelo menos no Giramondo, se hospeda lá porque trabalha em São Paulo durante a semana e no final dela volta para casa em outra cidade. E porque a maioria trabalha, o silêncio tem que reinar por ali depois de uma determinada hora. Outra lição aprendida, hostel tem regra em cada cômodo que você vai. E em três línguas para ninguém se fazer de desentendido.

foto Carla b opção

Aí você deve estar pensando: nossa, que chatice. Cadê a graça então? Ela está dentro dos quartos e só quem morou numa república no tempo de estudante universitário sabe do que eu estou falando. É uma zona deliciosa. O quarto que fiquei tinha dois beliches, como era o meu no apartamento que dividi com algumas amigas logo que cheguei a Campinas. E a bagunça… até hoje eu fico boba em ver como quatro ou mais mulheres juntas conseguem trazer o caos para um lugar. Roupas penduradas em todo o canto, malas espalhadas pelo quarto, garrafas de água vazias aqui e ali, camas quase nunca arrumadas.

foto 9 Carla

E nessa de dividir espaços apertados e sem estrutura nenhuma para o mínimo de organização eu voltei a ter vinte e poucos anos. Conheci duas pessoas incríveis que hoje se tornaram minhas amigas, Patito e Poly.

foto post Carla B 08

E me lembrei de outras duas lindas mais incríveis ainda e que até hoje não tem dia que não me lembre delas. Kátia e Valéria, eu amo vocês. Vamos fazer uma noite de República, como antigamente? Só que dessa vez com espumante. Afinal de contas, nós crescemos. Poderosas, sempre fomos!

foto (5) Carla, Valeria e Turka

Carla Bravo – Jornalista, atriz, apresentadora, locutora, dubladora, roteirista, mestre de cerimônias, assessora de imprensa e tudo mais o que uma comunicadora sabe ser. Ah, otimista sempre. E sonhadora.