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No meio, a praça, a mesma praça!

Duas mulheres, uma de cada lado, olhavam para a praça.

Uma praça bonita com um coreto no meio. Cheia de árvores centenárias. Assim como as centenas de histórias vividas ali.

Ao seu redor, prédios residenciais e um clube.

Era noite, madrugada.

De um lado, uma mulher na sacada do clube. Do outro lado, em um apartamento, uma mulher na janela enorme do quarto. A praça no meio.

No clube, um show. No apartamento a música tocava no Spotify.

A mulher na sacada do clube olhava para baixo, para o carro parado em frente à praça com seu amor na direção. Ele olhava para ela.

Da janela, a mulher brincava com a madrugada, tirava foto da praça vazia… nua na janela de madrugada… o seu amor estava na cozinha.

Como uma princesa na torre, encarava-o da sacada. Esperava que ele subisse e a levasse para outro lugar, mas só ficaram se olhando. De baixo para cima e de cima para baixo.

Já a outra, do outro lado, tirou fotos da praça vazia e voltou a dormir. Dormiram abraçados e pelados. Um respirando o ar do outro.

A praça permanecia ali, no meio, em silêncio naqueles momentos.

40 anos as separavam.

Mas o tempo, ah o tempo… vamos deixar o tempo para lá e só pensar na noite de lua cheia daqueles dias…

Sim, daqueles dias.

E também nas coincidências da vida, como o carro deles, que era o mesmo…

Eles tinham o mesmo gosto que ia para além dos carros.

E ela(s)… entre desejos e pensamentos, vivia(m) para além da praça.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo, talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.