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Terra

No começo, a terra era uniforme e vazia,
mas quis Deus colocar nela os seres que até então não existia.

Deus criou o sol, a água, a lua e criou rios, mares, oceanos e a sua maior maravilha, sua obra prima o ser humano.
Encheu a terra de plantas, frutos e flores tão belas e, para que o homem não ficasse só, fez a mulher, a criatura mais singela.

Voando um pouco no tempo, vamos viver agora o nosso momento.
Hoje o mundo é diferente, como cresceu! Nossa, quanta gente!

Mas alguma coisa não esta certa, não esta legal!
Pois são poucos com muito e a maioria nem se quer tem um quintal.

Quando Deus fez o mundo, não foi isso que Ele planejou; era para todos terem sua terra, como ele determinou.

Mas o homem egoísta, que procura ter mais e mais, se esqueceu o que Deus disse:
“Que a terra era para todos terem alimento em abundância e viverem sempre em PAZ”.

Vergílio Aparecido da Fonseca – Um trabalhador, zelador de um condomínio, que ama cantar na igreja, jogar truco e cantar no videokê


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Há tempo

Chegou um tempo diferente sem muitos avisos.
De repente doem os joelhos, a caminhada ficou mais lenta. Pausas para respirar nas subidas. Pausas nas rotas de bicicleta.
Largou a vida lá fora, não TV, não notícias, não vida alheia.

O short jeans rasgado cobre o mesmo já marcado corpo. Pouco se olhar no espelho, agora faz parte.
Mala pronta, pequena, suficiente para o tempo que for. Viagem ao encontro de filhos, netas, família. Terras frias onde o mesmo sangue corre nas veias há décadas. Pais, avós, pessoas.
Agora a percepção é menos ansiosa, não se esperam grandes novidades, mesmo assim elas vêm de encontro.
Interior, tempo lento, vilas espaçadas, estradas intermináveis.

Ali se vive sem pressa, observando os dias , os meses, as mudanças de estação.
O frio recolhe cada um no seu canto. O calor do sol vem abrir portas e colocar todos na rua.
Pelas ruas estreitas uma alma aqui, outra ali.
Um bom dia, um café no barzinho da Tereza, único na Aldeia. Forasteira.

Aos poucos vai sabendo de quantos vieram pra cá recomeçar a vida. Criam grupos que falam uma só língua, nem sempre falada, mas sentida.
Os encontros, que são muitos, ela jura que atravessou um portal para os anos 70. Mulheres de tranca, roupas coloridas compridas, sorrisos congelados de “paz e amor”, num lugar que pode ser bar que vem junto com uma biblioteca, sofás espalhados, alguém num canto corta o cabelo de alguém, uma música celta talvez e línguas diversas.
Até ela se surpreende , viva e deixe viver.

Na casa colada vivem um holandês, uma inglesa com filho, um cachorro, dois gatos e uma desordem característica. Não tem compromisso com isso.
Mas sempre um bom dia e um sorriso. Basta.
Os bichos já fazem da casinha um lar.
Quando chegou e os filhos a deixaram de mala e sacolas na porta, susto. Largada.
Diferente dessa vez. Limpou, cuidou e fez um lar para viver os próximos 30dias.

Começou a explorar os infindáveis caminhos ora belos, ora tristes de uma realidade dos tempos: monocultura de eucaliptos qual palitos de fósforo esperando o próximo verão, onde vão arder e aguardar os bombeiros voluntários que serão exaltados por aplacar a estupidez plantada na terra.
Vida segue num tempo lento e desobrigado fazendo-a ler três livros em um mês. Costurando para as netas, plantando flores nos vasos de outros.
Caminhadas longas se perdendo e achando, levando-a à pequena Vila onde já há civilização. Cafés, lojas, mercados, pessoas, barulhos.
O retorno é silencioso de volta à casa.

Da mesa onde escreve vê as estreitas estradas por onde andou, como linhas no papel.
O som apenas de pássaros, galos ao amanhecer.
Saiu a aceleração, o compromisso, entrou o ócio o aproveitar o tempo, o simples, aproveitar a vida e não passar por ela.

Maria Nazareth Dias Coelho – Bela Urbana, jornalista de formação. Mãe e avó. É chef de cozinha e faz diários, escreve crônicas. Divide seu tempo morando um pouco no Brasil e na Escócia. Viaja pra outros lugares quando consigo e sempre com pouca grana e caminhar e limpar os lugares e uma das suas missões.

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Tudo No Seu Tempo

Eu fui
Mas nunca cheguei
Estive lá
Mas partes minhas nem sequer saíram
O tempo passou
Mas fiquei aqui
Partes minhas vibraram e se transformaram
Fui
Mudei
Acreditei
Sonhei
Voltei
Quando um desejo vem de dentro
Vem da alma
O universo faz acontecer
Porque já estava escrito
Gerado
Tudo no seu tempo
Flui

Octavio D’Avila- Formado em Psicologia, terapeuta Ayurvedico. Quando nasceu seu filho, nasceu dentro dele um escritor que descreve detalhes da vida, captura momentos preciosos, momentos que muitas vezes passam despercebidos.

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Contagens Regressivas

Ela acorda com
O mesmo som de sempre
Despertador. Café. Tic-tac

O mundo pede pressa
Mas ela só queria uma conversa
Inimiga número um
Da pressa que não cessa

Dizia todo dia
Viramos presas
De uma pressa
Pressa que não presta
Surto coletivo
Ninguém mais se acalma

Presas de uma pressa
Pressa que não cessa
Nem com tanta reza
O mundo se acalma

Aprendeu a funcionar
Antes de aprender a existir
Ser útil
Nunca inteira

Ali, entre um gole de café e o barulho da própria mente…
Pensava
E às vezes… lamentava

Bomba de pressão
Só gera depressão
Ansiedade exacerbada
Sociedade medicada

Tempo
Me diz quanto tempo tenho?
Mundo
Nesse mundo tão maluco
Que me prendeu em horas

Viciada
Enlouquecida
Por contagens regressivas
1, 2, 3
3, 2, 1
4, 5, 6
6, 5, 4, 3, 2, 1

Paula Ramos – Estudante de Mídias Digitais. Compositora. Artista Independente. Pet friendly que ama gatinhos mesmo sendo alérgica. Fã de cafeterias e academia. Uma vibes metamorfose ambulante. Taurina espalhando esperança por ai!

 

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Tempo

Tempo
Que tempo?
Ele se dissolve como areia fina no vento.
Escorrega,
flutua,
voa como a flor-dente-de-leão ao assoprar.
Ontem, hoje, amanhã… ninguém sabe.
Tempo ninguém pega, mas que dá uma vontade de segurar,
apertar,
rebobinar,
pular,
lembrar e esquecer,
sorrir e chorar,
abrir os olhos ou fechar e gritar: volteeeee!

Octavio D’Avila- Formado em Psicologia, terapeuta Ayurvedico. Quando nasceu seu filho, nasceu dentro dele um escritor que descreve detalhes da vida, captura momentos preciosos, momentos que muitas vezes passam despercebidos.
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Ainda tenho…

O tempo parece um menino…

ora soltando pipa, ora traçando o destino.

O tempo parece um mago, daqueles de festa de aniversário, que esconde os brinquedos da gente e desaparece…achando graça. Parece uma brincadeira de esconde-esconde. Envaidece.

O tempo passa…

Implacável, intolerante, imparcial, quase um delinquente.

O tempo tira sarro da gente

e anda depressa.

Outro dia era uma chuva fina acompanhada de bolinhos e ovos mexidos, e de repente, é uma saudade imensa do meu pai e da minha avó.

Tempo de cada cachorro que amei, tempo de tanta coisa que eu não vivi, tempo de quando carreguei minha filha no colo.

Às vezes, olho para o tempo e choro.

Fico buscando um tempo para me amar um pouquinho.

“pega leve comigo…ainda tenho pipas para soltar”

Siomara Carlson – Bela Urbana. Arte Educadora e Assistente Social. Pós-graduada em Arteterapia e Políticas Públicas. Ama cachorros, poesia e chocolate. @poesia.de.si
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No devido tempo

Em uma das primeiras oportunidades de visitar a Bienal de Artes de São Paulo, vi uma obra que me marcou muito. Não me recordo o nome da artista mas o titulo da obra era “O Tempo”.

Eram vários vergalhões (ferros de construção) de bitola larga empilhados, sendo que os que estavam rentes ao chão eram de um azul índigo com seus reflexos róseos. Conforme esses ferros eram sobrepostos, sua coloração ia se tornando alaranjada, de um tom vibrante, vivo.

Essa imagem ficou gravada em minha memória e anos depois, quando comecei a fazer esculturas em ferro, foi essa coloração acesa da ferrugem que me arrebatou.

Era o ano 1996, quando o tema Sustentabilidade, reutilização, enfim, os 5Rs não estavam no ‘mainstreaming’; eu valorizava a releitura do material.

Ressignificar o que se descarta, não é lixo.

Era uma forma de estimular uma reflexão do consumo consciente.

Nesse tempo, trabalhando com plantas e jardins, aprendi a respeitar e acompanhar o ritmo da Natureza. Esperar a época certa para podas, para semear, esperar a época certa da floração de cada espécie; vivenciar as estações do ano equilibrou a ansiedade, o descontrole emocional e mental.

Algumas clientes me chamavam para mostrar uma folha amarelada de uma planta e então percebi o quanto a sociedade atual tinha se distanciado da visão do envelhecer.

Os idosos já não conviviam com os filhos, com os netos e estes perdiam a oportunidade de ouvir sobre suas raízes, sobre suas origens.

Como valorizar a história da sua cidade, do seu país se não houver a valorização de suas próprias memórias?

O real valor de qualquer coisa, de qualquer projeto, de qualquer alimento, lhe é atribuído de acordo com o tempo que lhe é dedicado.

Quando se trata de curas das questões internas, cada um tem seu tempo.

Atualmente as pessoas falam muito em resiliência, se cobram e são cobradas por uma recuperação, reação rápida ao incômodo fato ocorrido, contudo, nesse processo o que importa é o quão profunda e consciente será a transmutação.

Nas do Ser, Chronos, o Senhor do Tempo, reina.

Também chamado em latim, Aeon, “eternidade”. Na mitologia grega era a personificação do ‘tempo eterno e imortal’.

Carece aqui invocar Kairós, a qualidade do tempo vivido, segundo a Bíblia, “o Tempo de Deus”.

Enfim, aproveite seu tempo no seu tempo!

“Que ele seja eterno enquanto dure”. (Vinícius de Moraes)

Érika Taguchi – Publicitária por formação, com especialização em Marketing além de: terapeuta holística, praticante de Yoga Arhatica, fundadora do Instituto Sempre Vivva, artesã, cozinheira, costureira, poeta, jardineira, personal organizer e tantas outras definições mais.

 

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Não me peça para repetir

Eu estava sentada em minha varanda, (re)lendo Martha Medeiros, enquanto ativava a vitamina D e eis que um pensamento do tamanho de um elefante passou por mim e eu tive que dar atenção a ele.

Parei a leitura e deixei quarar as ideias, sob o mesmo sol.

O tempo é gerente de mudanças.

Quem passou pelo período pandêmico, como eu, entendeu a incógnita de que mesmo isolados, mudamos. Por vontade, por necessidade ou à revelia, mudamos.

E, como disse a poetisa, a direção é mais importante que a velocidade.

Num flashback, algumas cenas me vieram à memória e eu pude apreciar as minhas escolhas dos últimos anos. Tenho vivido intencionalmente experiências que me ajudam a compreender a complexa equação do tempo, onde o passado e o futuro são fortunas, mas, é para o presente que dou o cuidado que eu mereço.

Merecer, no meu dicionário, é não permitir que a maturidade estrague o que eu conquistei, por isso, eu só o conjugo no presente, e presente é presente mesmo.

Já reparou que há coisas muito boas de se viver que não precisam se repetir?

O bem-estar e a alegria de determinados momentos têm lugar especialíssimo no meu coração, têm efeito em mim, mas, não quero que se repita!

Não quero que se repita é artigo definido de decisão.

A vida é uma sucessão de acontecimentos e não quero me apegar a nenhuma fração. Quero celebrar os momentos, honrar as lembranças e, principalmente, agradecer às pessoas pelas parcerias amorosas que são inegavelmente a composição de uma história que continua.

O tempo comunga a beleza de senti-lo.

Percebo que na tentativa de reproduzir os acontecimentos, reeditar sensações e sentimentos, desperta-se as frustrações. Afinal, um passo à frente e não se está mais onde estava, não sou a mesma, não há razão para querer que as coisas sejam.

Sabe quando você faz uma viagem maravilhosa e pensa em voltar todos os anos? Nunca será igual, não é? Pode ser melhor, pode ser pior, sempre será diferente, porque o tempo não estaciona e a natureza é movimento contínuo.

Quero lembrar, quero comemorar, quero me emocionar com o que passou, só não quero repetir.

Dito isso, não conte comigo! Reservo minha energia para criar experiências novas, intencionais e significativas, com memória, com planejamento, com perspectivas e com pessoas como você…

Refletir me alivia do peso de dizer não, pois, eu não quero ser rude, mas já não posso ser quem fui se até o elefante que passou por aqui não é mais o mesmo. Partiu, todo decidido a visitar outras cabeças.

Dany Cais – Fonoaudióloga por formação, comunicóloga por vocação e gentóloga por paixão. Colecionadora de histórias, experimenta a vida cultivando hábitos simples, flores e amigos. Iinstagram @daniela.cais
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Um novo dia

Um novo dia,
Uma nova chance
De mudarmos o que outrora
Nos fizeram distantes…
Longe do amor e da empatia
Quem de nós nunca se perdeu um dia?
Mas a lua vem e traz sonhos consigo,
Basta enxergar além do horizonte tolhido.
Buscar dentro de si,
Amor e compreensão,
Mais ainda que isso,
Buscar o verdadeiro perdão!
Coração em paz,
Pensamentos elevados,
Como seria bom se fossemos todos curados!?
O processo é solo,
A atitude é pessoal,
Um dia você desperta,
Pro incrível e anormal!
Desejo essa luz
Que conduz aos desorientados,
Somos todos Tal navio
Sem farol em dia nublado!

Carol Costa – Bela Urbana, mulher, mãe de dois meninos, bacharel em direito, apaixonada pela escrita, pela vida e movida por sonhos.

 

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Carta ao meu Passado

Querido Passado,

Você deveria estar lá, no passado. Mas não é assim: você está no meu presente de forma consciente ou inconsciente. Esse não é mais o seu lugar. Seu lugar é lá, no passado.

“Mas Paula, eu estou no passado. É você quem me traz e continua carregando no presente. Me deixa no meu lugar, me deixa para trás” – diz o meu Passado.

Você tem razão. Lá você está muito bem. Agora que eu penso, lá você está muito bem. Você pertence ao passado, esse é o seu lugar. Não adianta trazer você para o presente porque você não encaixa aqui, você é uma peça de um quebra-cabeça que estou tentando encaixar no meu presente; e obviamente você não encaixa porque meu quebra-cabeça atual é outro, já não é o mesmo do meu passado.

“Então me deixa para trás! Me solta! Se liberta!” – diz o meu Passado.

Sim, Passado. Você tem razão. Obrigada por tudo que você me ensinou quando era o meu presente, mas como você já não é meu presente, preciso deixar você ir embora. Respeito o seu lugar e não deixarei você entrar no meu presente de novo porque você já não existe mais.

“Paula, se perdoa! Me liberando e me deixando no passado você vai se perdoar” – diz meu Passado.

Assim é, Passado. Eu te libero. Eu sinto muito, me perdoe, sou grata, eu te amo.

Com carinho,

Paula.

Paula Andrea Benavides –  É colombiana, mora no Brasil há 13 anos, mãe da Gabi de 11 anos, franqueada de uma escola de idiomas, é solteira.