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Fragmentos de um diário – 27

Fui com o R namorado no shopping, na casa da C e depois na sorveteria, onde soubemos que é proibido dar um beijo na boca, onde o garçom veio até nós e se nos proíbe dizendo que não pode “gestos amorosos” no local.

Eu odeio essa conduta moralista que na verdade é só cínica.

Um beijo, o que tem demais?

19 de dezembro – Gisa Luiza – 19 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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Fragmentos de um diário – 26

Dei os pêsames e foi assim que acabou o que nunca foi o que eu queria que tivesse sido. Foi a última palavra. A última, distante da penúltima. Todas distantes, poucos foram os momentos que as palavras não foram distantes.

Entender agora que pêsames foi a última para fechar aquele capítulo foi pesado.Tudo era pesado. E quando tudo é pesado não existe braços que aguentem… um hora cai e pode quebrar.

Nem sei se quebrou, mas caiu. Por muitos anos essa foi minha última palavra para ele. Palavra que esqueci, como esqueci vários detalhes, mas reler me faz lembrar e sentir de forma estranha toda essa história.

Talvez não seja bom mexer com os mortos, eles ressuscitam algo em você e se já morreram é melhor deixar essas memórias em paz. Reviver é se prender ao que já não existe mais. O tempo é outro, mas somos sempre um pouco do nosso ontem, para o nosso melhor e nosso pior.

As coisas não precisam ter mais peso do que já tiveram. Quero deixar o passado descansar em paz. Dar pêsames ao que me prende a ele. Jogar fora as armadilhas que levam as dores.

Passou e só o que ficou na minha memória e no meu coração verdadeiramente está vivo e assim deve ser. Preciso aprender enterrar de vez, deixar ir, esquecer os detalhes do passado. Zumbis só são legais nos filmes.

14 de agosto – Gisa Luiza – 50 anos

 

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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FELICIDADE

É estar de bem, é estar de mal.

Brincar, brigar, chorar, amar

Rir de mansinho, quietinha

E gargalhar algo, mas bem espontâneo

É um sim a tudo,

Um sim ao não.

É a descoberta dos limites

É o querer mais, sempre mais

É poder ser contudo simplesmente você.

E descobrir do nada um mundo

E brincar com o sério, com o mais absurdo e triste sério.

Felicidade é simples, é de verdade, é todo dia.

É apenas uma questão de vontade.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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Dia dos nAMORados

Ela era dessas pessoas confusas. Confusas e centradas. Coisas dúbias em uma só pessoa e talvez isso fosse o que a tornava mais interessante.

André era apaixonado por ela, dizia isso. Ela gostava dele, já foi também apaixonada, mas hoje já não mais. A paixão secou, como a água da torneira da sua cozinha por culpa do encanamento do vizinho. A pia ficou com as coisas para lavar, sujas, mas não tem o que fazer, até a água voltar.

Jantou o macarrão de ontem, frio, nunca gostou de comer comida requentada. Hoje só queria ficar só, e estava… André, estava por aí e ela nem aí, não ligou, apesar do dia merecer uma comemoração especial.  Dia dos namorados. Ela hoje não liga para datas, na adolescência sim, mas hoje, tantos anos depois da adolescência não mais.

Depois do jantar, mais um prato, copo, garfo e faca para a pia suja, ela olhou tudo aquilo com desgosto e sem ao certo saber o que fazer para resolver. Terá que resolver com o tal vizinho.

E por falar em vizinho se não fosse tão esquisito seria interessante. Era interessante, mas era esquisito. Quantos anos tinha? Acho que era um pouco mais novo que ela e sempre a olhava quando estavam no elevador.

Resolveu tomar banho, colocar seu perfume favorito. Usava seu perfume até para dormir sozinha. Era para ela. Amava aquele cheiro. Tentou dormir cedo, mas seu relógio biológico não ajudava para isso. Foi para a sala, ligou a TV, a TV sempre dava sono, mas nada. Foi para internet e ali despertou de vez, com ele, aquele que agora fazia ela sorrir, gargalhar. Ela só observava o que ele postava e quantas eram as que respondiam para ele. Muitas…

Ele era história antiga. História dela com ele. Dele com ela. Cada um pelo seu olhar. Seguiam suas vidas separadamente. Ela lembrou da música da adolescência “no balanço das horas tudo pode mudar”, cantava com a amiga da escola em um dia 12 de junho de muitos anos atrás. Ela lembrou e confusa que era pediu para o “Papai do Céu”, sim, ela ainda se referia a ELE como “Papai do céu”, pediu com fervor, pedir com amor e com um certa dose de dor.

Pediu que tudo fosse para o lugar certo. Que a água voltasse. Que a comida nunca faltasse. E que a alma dela encontrasse a dele frente a frente. Cara a cara. Corpo a corpo. Olhos nos olhos. Que pudesse ser seu nAMORado. Que esse tempo, esse das horas da música,  que enfim, chegasse para eles. Coragem.

Pegou no sono. Sonhou com merda. Sim, merda. Não estranhem, isso é um sonho que traz sorte. Presságio bom. É o que dizem…

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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C

Caos cansa

Crianças causam

Calamidade cansa

Críticas causam

Correria cansa

Comidas causam

Cretinos cansam

Cumplicidade, cultura, cooperação, calma, cobertor, cores, corais. Cadê?

Coração continua

Coração corrói

Coração coragem

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

 

 

 

 

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Algemas

Se bebo

É porque não quero ver 6, mas 12

Onde 6 são bons e 6 são maus

São 12 no total

São 24 no total

Preciso multiplicar os bons e bebo mais,

Pra cada vez aparecerem mais

E eu acreditar que um dia vençam os maus e venham me salvar

 

Bebo porque preciso beber

E ninguém pode entender

Bebo porque me sinto forte

Porque fico bravo

E só assim consigo ser bravo

 

Não quero que me desculpem por nada

Não entendo onde pode estar errado

Não entendo poque querem que me sinta culpado

Não sou culpado de nada

Sempre fui a solução de vários problemas

Mas quando eu canso dos problemas

Eu bebo porque preciso beber

Preciso me sentir forte

Não que eu não seja

Mas me entenda

Eu preciso

 

Preciso sentir quando passo pelo corredor

Que meus pés pisam em nuvens

Preciso sentir que empurro as paredes com meu corpo

Eles pensam que cambaleio por falta de direção

Não cambaleio, encontro as paredes de propósito

Pra jogá-las longe de mim

Preciso delas longe de mim

Pra sentir meu caminho mais largo, meu horizonte mais livre

 

Preciso beber para embaçar a vista

Berrar, mesmo que seja com a pessoa errada

Preciso beber para minhas mãos pararem de tremer

Meus olhos enxergarem o que só eu quero ver

 

Preciso beber cada vez mais

Pra tirar o chumbo dos meus pés

E as algemas de minhas mãos

Preciso beber

Pra voar.

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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O próximo beijo

O próximo beijo

que eu vou dar

para quem será?

Em quem quero dar?

Será um beijo na boca?

No rosto?

Na testa?

Quem será que vai ganhar?

Ou será que eu que ganharei?

de onde menos espero…

de alguém que se atreva

a me dar um beijo de cinema

ou não, talvez seja, um beijo na mão

Beijo na mão, não rola não

Mas que beijo é esse que está por vir?

Darei?

Sim, darei um próximo beijo e outros

Agora eu vou

E o beijo é virtual, escrito

Beijo que fica no imaginário

Mas beijo é sempre beijo

então, beijo

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre as consultorias de comunicação e marketing e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :)

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

 

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Fragmentos de um diário – 25

Preciso ler minha poesias vazias, notícias de jornal, revista de fofocas, livros de suspense e ver novelas na TV.

Preciso fazer as unhas do pé, tirar fora o esmalte velho e deixar aparecer a cor que se é.

Não dar importância para os ruídos nas portas, pingos do chuveiros que teimam em não parar e carros que correm na avenida.

Jogar fora tudo que não me deixa DEIXAR e RELAXAR.

14 de novembro – Gisa Luiza – 32 anos

Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde escreve contos, poesias e crônicas. Publicitária e empresária. Divide seu tempo entre suas agências Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, 3bis Promoções e Eventos e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa :). A personagem Gisa Luiza do “Fragmentos de um diário” é uma homenagem a suas duas avós – Giselda e Ana Luiza

Foto Adriana: Gilguzzo/Ofotografico.

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Fragmentos de um diário 2

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“…. mas nesse últimos dias ando repensando e revendo certas coisas e venho concluindo algumas coisas importantes. Mudar não é fácil, mudar comportamentos é mais difícil ainda, mas o primeiríssimo passo é percebermos que precisamos mudar, melhorar. Penso individualmente o quanto preciso melhorar, controlar minha ansiedade, meu lado impaciente que gera momentos desgastantes, sorrir mais, enfim, aprender mais, melhorar, crescer e ter sempre meus objetivos de vida de acordo com minha vida. Isso que escrevo não é nada negativo, pelo contrário, é primeiro passo, é uma auto-análise de como ainda posso melhorar.

Que bom que posso e que podemos sempre melhorar, que bom poder enxergar isso e mais ainda, ter a chance de fazer acontecer. Porém, mudar comportamentos é difícil, comportamento coletivo, mais difícil ainda. O que quero escrevendo isso é que todos percebam o seu papel, que todos estejam de acordo com seu objetivo de vida, que todos estejam sempre pré-dispostos a melhorarem e com isso fazer as coisas melhores. É questão de postura de vida, do acreditamos ser certo ou errado.

Precisamos estar mais pré-dispostos ao sim. Que tal tentarmos antes de dizer não. Que tal avaliarmos se não damos conta antes de dizer não. Posturas positivas e negativas. Aonde quero estar? Aonde queremos estar?…”

01 de março – Giza Luiza – 30 anos

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Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos. 

 

 

 

 

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Fragmentos de um diário

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…é esse lance de você se ver sozinho, se encontrar, saber o que você quer ou não, e ter consciência de que ninguém é bengala de ninguém. Você não pode esperar que as pessoas vão estar sempre do seu lado e saber quando você está bem ou mal. Você não pode ficar contando com as pessoas, porque não é sempre que elas estarão no mesmo clima pra te ajudar, sempre que puderem e perceberem e, é lógico, se gostarem de você, irão te ajudar, mas não dá pra ficar contando com isso sempre, por isso é melhor nunca contar, conte sempre com você, não fique esperando que vai aparecer alguém e te salvar dos seus problemas, e se aparecer é algo a mais e não apenas um complemento.

30 de julho – Gisa Luiza – 18 anos

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 Adriana Chebabi – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde é a responsável pela autoria de todas as histórias do projeto. Publicitária, empresária, poeta e contadora de histórias. Divide seu tempo entre sua agência  Modo Comunicação e Marketing  www.modo.com.br, suas poesias, histórias e as diversas funções que toda mãe tem com seus filhos.