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Contagens Regressivas

Ela acorda com
O mesmo som de sempre
Despertador. Café. Tic-tac

O mundo pede pressa
Mas ela só queria uma conversa
Inimiga número um
Da pressa que não cessa

Dizia todo dia
Viramos presas
De uma pressa
Pressa que não presta
Surto coletivo
Ninguém mais se acalma

Presas de uma pressa
Pressa que não cessa
Nem com tanta reza
O mundo se acalma

Aprendeu a funcionar
Antes de aprender a existir
Ser útil
Nunca inteira

Ali, entre um gole de café e o barulho da própria mente…
Pensava
E às vezes… lamentava

Bomba de pressão
Só gera depressão
Ansiedade exacerbada
Sociedade medicada

Tempo
Me diz quanto tempo tenho?
Mundo
Nesse mundo tão maluco
Que me prendeu em horas

Viciada
Enlouquecida
Por contagens regressivas
1, 2, 3
3, 2, 1
4, 5, 6
6, 5, 4, 3, 2, 1

Paula Ramos – Estudante de Mídias Digitais. Compositora. Artista Independente. Pet friendly que ama gatinhos mesmo sendo alérgica. Fã de cafeterias e academia. Uma vibes metamorfose ambulante. Taurina espalhando esperança por ai!

 

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O Que Escapa De Seu Coração

O Poeta não escreve poesias, ele sangra sentimentos, como pétalas jogadas ao vento, sente o que escapa de seu coração.
Suas poesias ou suas palavras são como o sangue que jorra de suas veias, rimam para quem lê, desfalecem que as escreve.
Ele se perde nestes momentos como quem desce vagarosamente ao chão dos sentimentos, não em uma escada bem estruturada, mas em uma encosta de cascalhos e rochedos.
Não teme a descida, vê a muralha de rocha em sua frente, e passo a passo, mão a mão se deixa levar por esta poesia.

O poeta não espera encontrar nada no fundo daquele precipício, não sabe se vai voltar ou se permanecerá perdido no fundo do abismo, ele apenas vai. Em suas veias jorram os mais delicados versos, controversos, muitas vezes sobre o que sentia, ele dá vazão e até alimenta aquela agonia.
Muitas vezes se pergunta se sente a dor ou a provoca com alegria, as lágrimas que escorrem de seu rosto, de certa forma, é uma atuação de sua poesia.
O poeta não sente a dor da mesma forma que sente a alegria, a alegria o distrai e não gera seus versos, já a dor, a dor transforma o sentimento em poesia.

Agora jogado no fundo do poço, quase morto de agonia, sentindo o que dizem ser depressão e ele entendendo que isso é poesia,
não vê razão para sair daquela condição de vida, afinal, ele foi ate lá, alimentando a sua dor com versos e rimas.
Quem olha de fora do seu mundo vê um viciado, que busca desesperado sentir o que sentia, mas não, não sente mais.
Acostumou-se ao cinza do dia, acostumou-se a escuridão dos seus pensamentos. Não, o poeta não escreve poesia, ele sente versos e escreve agonia.

André Araújo Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindo. Autor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

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O Que Eu Deixei

Deixei meu colar em algum lugar

Não acho

Perdi

Como perdi aquela prova de natação

Decepcionei o torcedor

Não gosto de competir

Medo de perder

Já caminhei com pedras na mão

Mas nunca carrego pedras no coração

No coração canções

Ontem eu dancei com você

Ontem…

Vontade com você

Tentação

Sem confusões, com confissões

Sem sentidos, beijos… pele…

Cabeça e corpo

Culpa ou desculpa?

Noites de verão depois de um carnaval.

Quentes

Amor de carnaval…

Fim do baile.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.
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Entre o Sol e a Distância

Estranheza de sentimentos ao ver o sol
Que, ao invés de cintilante, se afoscava em meu olhar
Distante em meus pensamentos, o teu sorriso terno a me beijar
Estranha esta distância obrigatória pelo dever de fazer
Estranho eu não encontrar sorrisos distante de você

Amor, amor, amor , muita mais que sorrisos e de longe até parece dor
Amor que completa os sentidos, que entende o que de divino reverbera em nós
Amor que acalma e devora os pensamentos, lento sentidos de segundos, que levam horas para se completar
Lento sentido de uma vida, que distraída com a sua presença, tira lágrimas do meu olhar

Não desejo agora a brisa marinha e nem o sol da manhã
Não desejo as palácios pálidos dos príncipes vazios
Desejo a sinceridade do seu sorriso, a certeza do seu colo, a entrega do seu desejo
Desejo ver através da sua visão, o que escorre em nossos lábios e devora nossos corações

Desejo a lua de calma, a calma nua de nossos corpos, abraçados e banidos do mundo
Trancados dentro de nossos sentidos, sem teorias externas ou a distância de outrora
Desejo agora vê-la em meus braços, puro sentimento de completude e virtude

A esta distância, infame distância que separa agora, não mais além, apenas agora, separa nossos corpos, mas não nossas mentes
As fronteiras que separam estes estados que até parecem nações; os aviões que cruzam o ar em busca do teu sorriso, sonho, atendo tuas formas
Desdobro meus desejos com tua memória, me conforto também com os pensamentos, estranho enlace de desejo, estranho sentimento de prazer

A este amor de agora, de outras vidas, esta esfinge que devora tudo que há em nós.
Sem nós, sem medo, me entrego a você em todos os meus desejos, me entrego à memória de suas respostas, me entrego à memória de seus beijos.
Em meus desejos distantes, um rompante de inquietude, sua boca amante passeia pela plenitude, um tremor de solitude, um tremor de prazer, entre o desejo de você.

Lê, minha amada, lê em meus textos a minha alma, lê em meus textos a minha vida
Lê teu nome em meu corpo, lê com amor e com gosto o que tenho para você
Lê minha amada, o teu nome em meu nome, lê a tua vida em meu sobrenome

André Araújo – Belo Urbano. Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma Bela mulher sorrindo.
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Mosaico de dois

Amor quero você agora!
Vem dividir comigo esses devaneios tolos que estão a me torturar!
Quero te jogar nesse chao de amor! Onde desenhei ingenuamente corações nesse chão de giz!
E por um triz…
Me faço de louca
Beijo tua boca!
Pego meu batom e gasto em seu corpo nu!
E desço dessa solidão…
que me tortura!
Te jogo no chao e gozamos com mais um cigarro!
E o cheiro do sexo selvagem fica em meu quarto como uma lembrança tua!
Porque você …
Cruelmente… foi embora!
No mais… foi embora!
Ainda ouço, em meu coração machucado, você me chamando de linda morena e eu experimento de sua boca com sabor de caldo de cana caiana!
Inesquecível!
Vem me desfrutar… de novo, meu nego!
Vem nessa pele macia…
Vem me me desfrutar, meu lindo moreno dos olhos de jaboticaba!
Vem dividir sua saliva doce em meu corpo!

Este poema é um mosaico feito de versos emprestados — uma fusão entre Chão de Giz e Morena Tropicana. 
Uma homenagem aos autores dessas obras: Chão de Giz, de Zé Ramalho, e Morena Tropicana, com letra de Alceu Valença e melodia de Vicente Barreto.

Alê Torres – Atriz voltada para a comédia, mas sua paixão é cantar.  Também ama teatrar! Verbo inexistente… mas com um significado enorme! O palco a encanta! Ama flores, chocolate e o amarelo, acha singelo o cantar de um pássaro! Gosta de brincar com as palavras e transformar em versos e poemas! Quase morreu na pandemia, mas foi forte e sobreviveu, perdeu sua família, mas está aqui para contar sua história.

 

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O passado de minhas pernas

Nas rua do bairro em que nasci
minhas pernas curtas
corriam com meninos,
minhas pernas curtas
corriam na queimada,
minhas pernas curtas
saltavam os bancos,
minhas pernas curtas
eram corajosas, não sentiam dor.

Agora, anos depois, ando pela rua
minhas pernas adultas
andam devagar para não cair.
Não me atrevo a saltar
tenho inveja da criança que corria
alegremente dentro de mim.

Vera Franco – Amo arte e poesia. Faz parte dos coletivos Coletivo Literário Dandaras somos Poesia e o Coletivo de mulheres mães Vulcana. A arte tem lhe renovado muito.
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Ando assim…

Ando assim

Um pouco desleixada

Muitas vezes desarrumada

Descabelada? Sempre

Ando assim

Impaciente

Principalmente para discussões

Onde falta razão

E sobram egos

Ando assim

Faminta

De generosidade

De transparência

E ando tanto assim

Que já nem sei como é assado

Se ficou queimado

Se dá para servir

Se está gostoso

Sei que assim, sigo

Assim, respiro fundo

Assim, rezo

E assim, apesar do sim ou do não

Sigo firme.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista. Escritora. Uma contadora de histórias. Curiosa por natureza.  Uma sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo. Talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão, não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que no horóscopo chinês é Macaco.
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PAI

Ser
Ser o Super herói
O espelho
O brilho nos olhos
O sorriso
O orgulho
O novo
Ser a referência
Ou ser
O exemplo
A força
A criatividade
Ser o protetor
Professor
Amigo
Escritor
Fotógrafo
Apoio
Ser o abraço apertado
O médico
O cúmplice
O ombro amigo
Ser Pai herói
Botânico
Veterinário
Músico
Ser cobertor,
colchão, guardanapo e muitas  vezes travesseiro
Ser sem saber o certo e o incerto.
Mas acima de tudo estar presente em cada momento desta caminhada do meu filho,
Sendo Pai,
o Ser que sou.

Octavio D’Avila- Formado em Psicologia, terapeuta Ayurvedico. Quando nasceu seu filho, nasceu dentro dele um escritor que descreve detalhes da vida, captura momentos preciosos, momentos que muitas vezes passam despercebidos.
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Tempo

Tempo
Que tempo?
Ele se dissolve como areia fina no vento.
Escorrega,
flutua,
voa como a flor-dente-de-leão ao assoprar.
Ontem, hoje, amanhã… ninguém sabe.
Tempo ninguém pega, mas que dá uma vontade de segurar,
apertar,
rebobinar,
pular,
lembrar e esquecer,
sorrir e chorar,
abrir os olhos ou fechar e gritar: volteeeee!

Octavio D’Avila- Formado em Psicologia, terapeuta Ayurvedico. Quando nasceu seu filho, nasceu dentro dele um escritor que descreve detalhes da vida, captura momentos preciosos, momentos que muitas vezes passam despercebidos.
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Subjetivamente

Subjetiva

Ativa

mas…

Subjetiva quando precisa ser. Precisa?

Objetiva

Ativa

Subjetivamente complexa

Pensante, avante

Um passo para frente

Dois para trás

Essa subjetividade

Gerando dúvidas

Girando como uma roda-gigante

As vezes em cima

As vezes em baixo

Subjetivamente sem quebrar a roda

Subjetivamente ficando tonta de tanto rodar

Assustando e

Assustada na roda que pode quebrar

Porque tanta subjetividade?

Porque tantos pensamentos?

A busca pelo caminho certo

Quando o caminho gira, roda, sobe, desce

Mas não sai dessa roda de subjetividade

Atividade é isso

Vamos avante

Objetivamente a busca

Além dessa subjetividade cansante

ou quem sabe, constante.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, idealizadora do blog Belas Urbanas onde faz curadoria dos textos e também escreve. Publicitária. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.