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Blues do Djavan

Havia som. Era tarde da noite. A garrafa de vinho estava quase vazia.

Ríamos alto e sem pudor

De repente, fez-se um grande silêncio.

Sete segundos.

Ele se aproximou, olhou dentro dos meus olhos e sussurrou no meu ouvido:

“Não vamos desperdiçar os blues do Djavan”.

Recuei, olhei nos seus olhos, sorrindo timidamente. Me aproximei e respondi baixinho, quase encostando em seu ouvido:

“Não vamos desperdiçar os blues do Djavan”.

Rimos alto novamente.

Silêncio.

Três segundos.

Naquele dia, “caetaneamos’ até o sol raiar.

Claudia Chebabi Andrade – Pedagoga, bacharel em direito, especialista em psicopedagogia e gestão de projetos. Do signo de touro, caçula da família. Marca registrada: Sorriso largo e verdadeiro sempre.

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Houve Sílvia Que Somente Ouve

Vou te fazer uma pergunta: o que é, para você, ouvir e escutar? Aliás, existe diferença?

Em meu trabalho, por muitas vezes incluo esta indagação. Faço isso para entender se as pessoas que estão ali comigo estão realmente presentes ou não. Isso mesmo: quero compreender se estão prestando atenção em mim ou “derivando” em algum local no seu próprio mundo mental.

Quando lanço essa pergunta, geralmente capto um silêncio profundo e um desconfortável ar de dúvida. O “mentalês” — nossa linguagem cerebral — entra em ação e a pessoa se auto indaga: “Mas será que tem diferença?”. Alguns começam a explicar e se enrolam; outros ficam à espera para ver se alguém acerta, pois não querem se arriscar a passar vergonha. Depois de muitas respostas, quando eu, finalmente explico o conceito, sempre surge aquela frase clássica: “É, eu já sabia, só queria ter certeza”.

Para além da teoria, essa diferença se manifesta na vida real. Para isso, vou contar sobre o encontro entre duas amigas: Rachel e Sílvia.

A tarde de sábado estava preguiçosa, o cenário perfeito para Rachel despejar sobre Sílvia as novidades da semana enquanto o café esfriava nas xícaras. Rachel falava com entusiasmo, gesticulando para dar vida à história sobre o jantar de noivado de uma prima distante, um evento que exigia um protocolo milimétrico. “Sílvia, preste atenção, porque isso é o mais importante: o convite dizia traje passeio completo, mas a noiva deixou claro que, por ser no jardim, ninguém deveria ir de salto agulha ou preto, além de avisar que o presente deveria ser entregue na casa dela, nunca no local da festa, para não causar confusão com a logística.”

Sílvia, por sua vez, estava ali. Fisicamente, pelo menos. Ela balançava a cabeça em intervalos regulares (bem típico de quem ouve, só ouve), emitia pequenos “ahã” e “claro” no tempo certo e também mexendo a cabeça como se estivesse confirmando, mantendo contato visual que beirava a perfeição. Seus ouvidos estavam sim, apenas, captando as vibrações sonoras da voz de Rachel, as ondas entravam pelo canal auditivo, faziam o tímpano vibrar e os pequenos ossos do ouvido interno trabalhavam como uma máquina bem lubrificada. O sistema biológico auditivo de Sílvia estava operando em capacidade máxima, captando cada decibel e frequência.

O problema é que, enquanto os ouvidos de Sílvia captavam o som, o foco e a atenção dela estava em outro lugar. Ela tratava o tom de voz da amiga apenas como um ruído de fundo reconfortante, enquanto sua mente debatia internamente (mentalês) se comprava ou não
aquela sandália preta de salto fino que vira na vitrine numa loja no caminho do encontro de Rachel. Para Sílvia, as palavras de da entusiasmada amiga eram como uma música em idioma estrangeiro: a melodia era agradável, porém a mensagem simplesmente não fazia sentido.

Bons momentos de conversa transcorreram, até que Rachel fez um breve silêncio e percebeu o olhar perdido da amiga, que continuava a balançar a cabeça afirmando algo que não havia sido perguntado. Rachel questionou, com um brilho de expectativa nos olhos: — E então, o que você acha que eu respondo para ela sobre o presente?

Sílvia, despertada do transe pela interrupção do fluxo sonoro, sorri com confiança absoluta e dispara: — Ah, amiga, acho que você deve ir de preto e levar o presente na hora, não tem erro!

O olhar de Rachel naquele momento foi um misto de decepção e epifania. Ela percebeu que, nos últimos vinte minutos, ela não tinha conversado com uma pessoa, mas sim com uma parede que sabia balançar a cabeça. Sílvia a não era má pessoa, ela apenas tinha caído na armadilha mais comum da vida moderna: ela ouviu tudo, mas não escutou absolutamente nada.

Essa cena, que acontece em milhares de salas de estar, mesas de café, almoço e jantar todos os dias, e revela uma verdade intrigante sobre nós. Além de sermos bombardeados por telas e sons o tempo todo, desenvolvemos a péssima habilidade que nos permite “ouvir” sem “escutar”. Ouvir é o que o seu corpo faz para te avisar que um carro está passando ou que a chuva está chegando com alguns trovões; é um processo fisiológico, automático e passivo e, na maioria das vezes, perdendo a essência do estar presente. Já escutar é um ato intencional com total foco de atenção é o real exercício de presença, um ato de respeito e educação onde você interage verdadeiramente com a outra pessoa compartilhando seus saberes de forma empática.

Esta é uma das grandes tragédias cotidianas que afligem os relacionamentos, sejam eles familiares, de amizade ou afetivos. Como diz o escritor: ‘as pessoas ouvem para responder, elas não escutam para entender’. Quando apenas ouvimos, captamos o barulho; quando escutamos, captamos e internalizamos o ser humano. No fim das contas, o café de Rachel esfriou, a mensagem se perdeu e, naquele sofá, houve Sílvia que somente ouve.”

Marselo com S –  Especialista Comercial e Comportamental, com 20 anos de experiência em Educação Corporativa, com inserção de conceitos das Ciências Comportamentais para explicar o porquê dos comportamentos. Fã de hard rock (Kiss), praticante dedicado em atividades físicas e de boas e bem humoradas conversas.

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Consulente

Consulente

Pede conselho

Conselho dou

Consulente não se contenta

Quer ouvir o que quer

mas eu sei de tudo

Digo o que precisa ser dito

ele não acredita

Consulente é Insistente

Confuso, carente

Coitado desse consulente

Dos astros sei

Consulente acha que é mentira

Curta eu corto

Procura o Chat

Seu chato

Madame Zoraide– Nascida no início da década de 80, vinda de Vênus. Começou atendendo pelo telefone, alcançou sucesso absoluto e, como toda mulher que sabe demais, foi reprimida por forças maiores. Anos depois, passou a fazer mapas astrais, estudar signos e numerologias. Sempre soube tudo: do presente, do passado, do futuro e dos cantos de qualquer lugar. É irônica. É sabida. É loira. Seu slogan é: “Madame Zoraide sabe tudo.” Atende pela sua página no Facebook: @madamezoraide. Se é um personagem? Só a criadora sabe.

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Dona Carência

Às vezes ela aparece.
Uma visita inesperada.
Um pouco inconveniente.

Tô sem vontade de fazer sala.
Mas ela não percebe.
Chega, entra e senta no sofá.

Que ousadia!
Sem noção, sem convite, se instala.
Minutos, horas, dias…
Dia já é demais!

Sensação de desconforto…
Tento ignorar, sigo minha vida.
Sorriso amarelo no rosto.

Ela ainda está ali, intrometida.
Peço socorro.
Amigos, família, namorado. Todos!
Preciso de ajuda!

Parece que ninguém gosta dessa visita também.
Ela repele.
Poucos conseguem acolhê-la.

O vitimismo é seu lugar preferido.
Gosta de ficar ali.
Coitada…

Nessa morada,
vai deixando a casa cheia
da sua presença vazia.

Chega!
Respiro.
Entendo.
O amor que ela busca não está fora.
Está dentro.

Acolho a visita, mas me despeço.
Com licença, Dona.
Tenho muito a fazer.

No rosto um sorriso, agora genuíno.

Carolina Salek Fiad – É uma amante da vida e e se eu lema é: Leve a vida leve. Foi através do yoga que mergulhou no tempo das almas felizes.

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Coração Cortado

É triste saber que entreguei
meu coração e confiança
a alguém que era pra me
amar pelo resto da vida.
Não me amou e nem respeitou
Inúmeras mentiras
Muitos tropeços
E nem um pedido de desculpas
Apareceu
E se fazendo de coitado
Diz que se arrependeu
Não dá para voltar atrás
O que quebra dificilmente
Se restaura.
Se restaura, sempre há rachaduras.

Vera Franco – Amo arte e poesia. Faz parte dos coletivos Coletivo Literário Dandaras somos Poesia e o Coletivo de mulheres mães Vulcana. A arte tem lhe renovado muito.

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Tudo No Seu Tempo

Eu fui
Mas nunca cheguei
Estive lá
Mas partes minhas nem sequer saíram
O tempo passou
Mas fiquei aqui
Partes minhas vibraram e se transformaram
Fui
Mudei
Acreditei
Sonhei
Voltei
Quando um desejo vem de dentro
Vem da alma
O universo faz acontecer
Porque já estava escrito
Gerado
Tudo no seu tempo
Flui

Octavio D’Avila- Formado em Psicologia, terapeuta Ayurvedico. Quando nasceu seu filho, nasceu dentro dele um escritor que descreve detalhes da vida, captura momentos preciosos, momentos que muitas vezes passam despercebidos.

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Contagens Regressivas

Ela acorda com
O mesmo som de sempre
Despertador. Café. Tic-tac

O mundo pede pressa
Mas ela só queria uma conversa
Inimiga número um
Da pressa que não cessa

Dizia todo dia
Viramos presas
De uma pressa
Pressa que não presta
Surto coletivo
Ninguém mais se acalma

Presas de uma pressa
Pressa que não cessa
Nem com tanta reza
O mundo se acalma

Aprendeu a funcionar
Antes de aprender a existir
Ser útil
Nunca inteira

Ali, entre um gole de café e o barulho da própria mente…
Pensava
E às vezes… lamentava

Bomba de pressão
Só gera depressão
Ansiedade exacerbada
Sociedade medicada

Tempo
Me diz quanto tempo tenho?
Mundo
Nesse mundo tão maluco
Que me prendeu em horas

Viciada
Enlouquecida
Por contagens regressivas
1, 2, 3
3, 2, 1
4, 5, 6
6, 5, 4, 3, 2, 1

Paula Ramos – Estudante de Mídias Digitais. Compositora. Artista Independente. Pet friendly que ama gatinhos mesmo sendo alérgica. Fã de cafeterias e academia. Uma vibes metamorfose ambulante. Taurina espalhando esperança por ai!

 

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O Que Escapa De Seu Coração

O Poeta não escreve poesias, ele sangra sentimentos, como pétalas jogadas ao vento, sente o que escapa de seu coração.
Suas poesias ou suas palavras são como o sangue que jorra de suas veias, rimam para quem lê, desfalecem que as escreve.
Ele se perde nestes momentos como quem desce vagarosamente ao chão dos sentimentos, não em uma escada bem estruturada, mas em uma encosta de cascalhos e rochedos.
Não teme a descida, vê a muralha de rocha em sua frente, e passo a passo, mão a mão se deixa levar por esta poesia.

O poeta não espera encontrar nada no fundo daquele precipício, não sabe se vai voltar ou se permanecerá perdido no fundo do abismo, ele apenas vai. Em suas veias jorram os mais delicados versos, controversos, muitas vezes sobre o que sentia, ele dá vazão e até alimenta aquela agonia.
Muitas vezes se pergunta se sente a dor ou a provoca com alegria, as lágrimas que escorrem de seu rosto, de certa forma, é uma atuação de sua poesia.
O poeta não sente a dor da mesma forma que sente a alegria, a alegria o distrai e não gera seus versos, já a dor, a dor transforma o sentimento em poesia.

Agora jogado no fundo do poço, quase morto de agonia, sentindo o que dizem ser depressão e ele entendendo que isso é poesia,
não vê razão para sair daquela condição de vida, afinal, ele foi ate lá, alimentando a sua dor com versos e rimas.
Quem olha de fora do seu mundo vê um viciado, que busca desesperado sentir o que sentia, mas não, não sente mais.
Acostumou-se ao cinza do dia, acostumou-se a escuridão dos seus pensamentos. Não, o poeta não escreve poesia, ele sente versos e escreve agonia.

André Araújo Homem em construção. Romântico por natureza e apaixonado por Belas Urbanas. Formado em Sistemas, mas que tem a poesia no coração e com um sorriso de menino. Sempre irá encher os olhos de água ao ver uma bela mulher sorrindo. Autor do livro Orvalho em Versos, publicado pela Editora Belas Urbanas.

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O Que Eu Deixei

Deixei meu colar em algum lugar

Não acho

Perdi

Como perdi aquela prova de natação

Decepcionei o torcedor

Não gosto de competir

Medo de perder

Já caminhei com pedras na mão

Mas nunca carrego pedras no coração

No coração canções

Ontem eu dancei com você

Ontem…

Vontade com você

Tentação

Sem confusões, com confissões

Sem sentidos, beijos… pele…

Cabeça e corpo

Culpa ou desculpa?

Noites de verão depois de um carnaval.

Quentes

Amor de carnaval…

Fim do baile.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.
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O ano começou – entre boletos e convites

Então, finalmente 2026 começou. Não é o que dizem, que tudo começa depois do carnaval? Pra mim, há controvérsias porque começou no comecinho mesmo, dia 01 de janeiro de 2026.

Mas posso não definir pelo carnaval e dizer que começou no calendário chinês, ou seja, ontem, dia 17 de fevereiro, e com todas suas orientações e crenças para ser um bom ano, ano do cavalo: movimento, coragem, impulso. Gosto dessa ideia.

Mas vamos as boas, hoje é quarta-feira de cinzas e comecei o dia diferente, levando Toddy para passear em uma praça com minha amiga Dani e Snow – seu cachorro. Toddy é medroso, mas é igual filho quando é criança, fui incentivando… vai lá… vai com o Snow. Isso é engraçado, a maternidade fluindo com os nossos animais.

Depois tomamos café da manhã em um lugar bem charmosso que eu não conhecia. Amei! Voltei para casa e fui encontrar três amigas na piscina. Posso dizer que formamos o quarteto fantástico das risadas, 01 casada, 03 divorciadas e solteiras…  estamos na faixa da nossa segunda adolescência aquela que começa depois dos 50. E o assunto rolou, carnaval, histórias, relacionamentos, aplicativos de namoro e muitas risadas – quase me rendi a entrar em um desses hoje… ainda não entrei, mas tô pela primeira vez, repensando se esse não é um caminho para conhecer uma pessoa legal e tentando vencer meus próprios preconceitos em relação a isso.

Depois almocei um lanchinho e começei a trabalhar, porque quarta de cinzas foi assim: De manhã: risadas, liberdade. À tarde: boletos, responsabilidades, com várias tarefas do trabalho para serem cumpridas.

Fiquei horas sem olhar o WhatsApp… e, quando abro, um convite para um happy romântico,  é assim que estava escrito… porém, contudo e todavia, vou deixar para outro dia, quem sabe… afinal, boleto não flerta, mas deixei a porta aberta.

Caminhei 26 minutos, é pouco ainda, mas a fratura das costas não deve estar ainda totalmente curada. Segui o que o médico disse. Parei. Mandei o resultado do aplicativo de caminhada – esse eu uso – para meu filho que é educador físico e está me cobrando mais atividades físicas. Sim, cobramos as coisas de quem amamos. Principalmente quando é para se cuidar. Por hoje consegui.

Os outros filhos foram agora no mercado comprar ingredientes para jantar. A conta eu pago, mas já não faço tudo sozinha, e assim posso seguir aqui com meu fiel e amoroso companhei de 04 patas, Toddy.

E escrevendo, aliás, andava com muitas saudades disso.

Fico aqui pensando… talvez seja isso o ano do cavalo: movimentar-se para enfrentar desafios, sem deixar de enxergar os pequenos presentes do dia e, quem sabe, aceitar alguns convites.

Viva o ano novo! Viva!

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.