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Quando eu não estiver mais aqui….

O dia que eu não estiver mais aqui:
Espero que eu tenha me despedido de quem eu amo. Deixado meu beijo e meu amor a cada um.

Eu quero que fiquem memórias minhas dentro dos corações das pessoas.

Quero deixar meus textos e minhas palvras marcadas no papel e na alma de quem as ler.

Não quero homenagens póstumas. Quero só flores. Aceito o choro de quem quiser chorar. O riso de quem quiser rir. Mas que fiquem as minhas lembranças nas mentes das pessoas.

O dia que eu não estiver mais aqui….
A vida continua.
Estarei em cada filho e neto. Correrá nas veias deles o meu sangue. Minha herança. Traços, linhagens…

Mas eu ainda vivo!
Apesar de saber que vou ao encontro da morte. Como todos nós. Cada dia a mais é um dia a menos.

Mas vivo com muita alegria de viver. Com muita vontade.

Tenho medo do futuro. Do que virá…
Um medo natural.
Mas o medo é de sofrer. Não de morrer.

QUERO muito que a minha vida possa ser longa. Que eu possa ver meus netos crescerem. Casarem. Que eu possa viver muitos sonhos que ainda tenho.

E quando eu não estiver mais aqui, deixarei saudades, acredito.
E levarei minha alma corajosa e a espiritualidade que busquei aqui…

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

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Franco passava

Na sua trajetória, ela teve um romance em tempos diferentes com Moacir, ou melhor, com dois Moacir,  dois romances.

Moacir um era sedutor nas palavras, profundo e sensível, usava isso a seu favor para compensar a falta de beleza exterior. Era um artista de despir almas pela internet, mas no tête-à-tête não era assim que funcionava. Um sedutor que, além das histórias emocionantes que contava da vida privada, destacando sua integridade rara, despertava nela uma admiração intensa, como uma chuva que lavava sua alma. Ele era uma pedra preciosa, é o que ela pensava. Sentia que aprendia com ele. Mesmo à distancia, ele alimentava tudo. Na presença, o beijo foi arrebatador.

Moacir dois era atrevido, não parava quieto. Relaxar era uma palavra que não estava no seu dicionário, queria engolir o mundo. Chorava no carro, no bar, e ela nem entendia se aquilo era tristeza ou sensibilidade exacerbada, mas talvez fosse só a cerveja mesmo, acentuada com a música ao fundo, ou talvez,  fosse tristeza contida que precisava da cerveja para disfarçar… haja cerveja para tanto. Descobriu lugares com ele, e isso era uma aventura deliciosa. Conheceu espaços inusitados. E o que falar do beijo? Ela gostava do beijo molhado e desprovido de vergonha que ele lhe dava.

Os beijos eram muito bons em ambos os casos, eram o melhor deles. Com o Moacir dois, houve muito mais beijos do que com o Moacir um. Com o Moacir dois, o romance durou mais que com o Moacir um, mas com o Moacir um, ela pensava que ele era sua alma gêmea, ledo engano. Com o Moacir dois, era tudo às claras desde o início, e nenhuma expectativa do para sempre, era um romance leve e diversão.

O Moacir um parecia tão legal… a expectativa foi grande por isso, mas, no presencial, percebeu que tinha questões com toque e era higiênico demais, daqueles que são “não me toques”.

O Moacir dois era “porra louca” e tinha essa linha tênue que flertava com o submundo. O perigo a seduziu.

Eram bem diferentes, só o nome era igual..

No fim das contas, Moacir um foi a decepção total, a expectativa alta, o bom moço, que de tão legal não foi real, e onde tudo parecia uma peça encenada em um espetáculo teatral superficial. O ator era ótimo até o segundo ato. Faltou conexão, emoção, sobrou enxaqueca.

O Moacir dois começou devagar, no atrevimento, roubou um beijo em cenário colorido e musical. Foi indo devagar, ganhou espaço, tinha pegada como se diz por aí, e, quando ela se deu conta, ele era um país inteiro para ela morar, até a guerra começar.

Moacir dois se dizia franco, mas ela rebatia e dizia que era para quem lhe convinha. Já Moacir um não dizia nada, nem que sim, nem que não. Talvez, no fundo, a questão fosse essa: ele não era sim nem não. Foi o que uma amiga dela disse, ouvindo a voz dele na mensagem do celular. Será? Pensava ela…

De será em será, a vida segue com histórias em territórios sem garantias.

Tudo passa, disse para Moacir dois, enquanto Franco passava por ali.

Adriana Chebabi – Sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas. Publicitária. Roteirista e escritora. Antes de tudo, uma contadora de histórias. Curiosa por natureza, sonhadora que realiza.  Acredita que podemos melhorar o mundo , talvez ingênua, talvez não. Desafios a instigam. Ama viajar, estar na natureza e experimentar novos sabores. É do signo de Leão. Já não tem mais certeza do ascendente, mas sabe que, no horóscopo chinês é Macaco.

 

 

 

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Tudo No Seu Tempo

Eu fui
Mas nunca cheguei
Estive lá
Mas partes minhas nem sequer saíram
O tempo passou
Mas fiquei aqui
Partes minhas vibraram e se transformaram
Fui
Mudei
Acreditei
Sonhei
Voltei
Quando um desejo vem de dentro
Vem da alma
O universo faz acontecer
Porque já estava escrito
Gerado
Tudo no seu tempo
Flui

Octavio D’Avila- Formado em Psicologia, terapeuta Ayurvedico. Quando nasceu seu filho, nasceu dentro dele um escritor que descreve detalhes da vida, captura momentos preciosos, momentos que muitas vezes passam despercebidos.

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Gosto, desgosto.

Gosto do calor, mas amei conhecer os flocos de neve.
Gosto do dia, mas adoro dormir e sonhar!
Gosto de banho quente, mas o gelado do sorvete me diverte.
Amo as flores, cores, mas é dificil o processo; requer dedicação. Todo resultado é um processo, gostando ou não.
O gosto amargo é o meu preferido, mas não digo o mesmo para as pessoas. Amargo na vida, só se for café, chocolate ou cerveja.
Gosto de gente, mas, pensando bem, as crianças são as gentes que mais amo. Ficar ao lado delas é minha escolha gostosa.
Gosto mais de salgado. E o doce deixo para o bolo ou docinho na festa. Adoçar o corpo é, na verdade, às vezes, acalmar a alma.

Gosto de viver.
Adoro viver!
Nem tudo é gosto. O desgosto nos acompanha em grande parte da caminhada na vida.
O desgosto é o gosto decepcionado.
Desgosto é o gosto frustrado.
Mas a vida é assim, cheia de antagonismo, e, pra quem gosta de viver, faz do desgosto o motivo para lutar e seguir!

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Bela Urbana, casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

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Existe um eu sou?

Somos aquilo que pensamos ser? Será que me vejo a partir do meu próprio olhar
ou através do olhar dos outros — a começar pela família e, posteriormente, pela
sociedade — que nos impõe valores e comportamentos com a promessa de que
seremos aceitos e amados?

É verdade que nascemos num mundo factual, onde as coisas já estão dadas e
sobre as quais não temos o menor controle, como o lugar de nascimento, a
família, a cor da pele, entre outros. Somos frutos da nossa época, com a sua
historicidade, cultura e contingências.

A princípio, somos natureza in natura, expressando-se na sua potência de ser e
existir. Ao interagir com o mundo, experimentamos uma força de expansão e
criação — sobretudo de nós mesmos. Neste estado, onde o existir se assemelha
a uma experiência de comunhão com o mundo e com o outro, tudo se entrelaça,
favorecendo a continuidade do ser e tornando-nos uma versão inédita de nós
próprios.

Nesta perspectiva, o sentir e o pensar estão integrados, de tal modo que as
palavras não conseguem conter a linguagem dos afetos — são apenas pontes
entre a experiência partilhada e o indizível do mundo particular que compõe cada
um de nós.

Seguimos pela vida em busca de nós mesmos — ora vivenciando algo mais
próprio, ora nos perdendo em meio aos discursos e falatórios da cultura a que
pertencemos. Todavia, a doce e terrível angústia de ter de ser as minhas
possibilidades, num mundo fluido e dinâmico, convoca-me a transformações e
realizações.

Quando estamos abertos para compor com o fluxo da vida, renunciando à
segurança de um pertencer engessado — isto é, aceitando que não podemos
deter a vida, pois ela nos escapa por entre os dedos — somos então lançados à
aventura de nos criar e recriar na novidade de cada instante.

A ideia de controle retira-nos do movimento da vida, reduzindo o ser a uma
representação daquilo que gostaríamos que fosse. Todavia, não há nada mais
real e potente do que sermos nós mesmos. A busca pela perfeição objetifica-nos
e rouba-nos a beleza do fazer-se e do tornar-se aquilo que se é. É interessante
pensar que um lindo vaso de argila, na sua origem, foi apenas uma massa
disforme; porém, quando moldada pelas mãos de um artífice, transforma-se
numa obra de arte. É possível imaginar a vida como movimento, de modo que
em algum momento, no tempo e no espaço, tal vaso possa retornar à sua origem.
Viver é um estado de permanente recomeço. Noite e dia ressurgem, a cada vez,
de modos diferentes e, assim, passado, presente e futuro encontram-se num
fazer contínuo. A bagagem do passado serve-nos de matéria-prima, que será
atualizada pelo presente, tornando-se a semente para um futuro que já desde
sempre começou. O futuro é um esboço de um amanhã que será preenchido, a
cada dia, ao seu modo. Somente ao final de uma vida podemos vislumbrar a
obra concluída — e não há nada mais sublime do que perceber-se coautor da
própria existência.

Somos complexos, múltiplos e diversos, pois, a cada instante, surgem inúmeras
possibilidades de novos arranjos e combinações com a experiência vivida.
Considerando, assim, as infinitas possibilidades que se apresentam diante de
nós e a finitude que nos constitui, é inevitável lidarmos com a dor de ser e deixar
de ser. Afinal, para que algo possa nascer como possibilidade vivida, outras
possibilidades precisam ser inviabilizadas — ao menos naquele instante no
tempo.

Considerando que somos uma metamorfose ambulante, como cantou Raul
Seixas, na origem de tudo encontra-se um existir vazio, mas potente de
possibilidades — um lugar nunca preenchido, de onde emana o ato criativo.
Podemos, assim, transcender a finitude da vida quando, ao contemplar as
infinitas possibilidades, damos o salto de fé — mergulhando na direção de
algumas delas, não com a pretensão de acertar, mas com o intuito de uma
expansão e autor realização.

O salto de fé projeta-nos para fora, levando-nos, paradoxalmente, a mergulhar
mais fundo em nós mesmos. Tal como as plantas que se estressam no outono
com a chegada do inverno, também aprofundamos nossas raízes para, mais
tarde, florescer com maior vigor.

Às vezes, devido às nossas inseguranças, sentimos necessidade de nos apoiar
em coisas — como a grife de uma roupa, o copo de cristal, um lugar turístico,
entre outros — em busca de garantias para um bom encontro. No entanto,
quando o bom encontro realmente acontece, tais coisas tornam-se irrelevantes.
A vida é assim: quando tentamos definir o que é dançar, perdemos a dança.

Pensar a vida fora da experiência vivida é um trabalho infrutífero — oferece-nos
apenas a ilusão de algo possível para além da nossa própria trajetória singular,
feita de dores e alegrias. Crescer envolve uma dor necessária, pois novas
estruturas estão sendo forjadas para que novas fontes de vida possam nascer e
jorrar do nosso interior.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Psicologa. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o mar.

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Cantar rima com vida!

Uma amiga me perguntou um dia…
O que rima com amar?
E imediatamente eu disse:
Cantar!
Porque cantar é minha paixão!
Jogo no canto toda minha aflição,
mas também jogo toda alegria
Que bom seria se a vida fosse toda musical!
Mas… pensando bem…
Nossa vida é com uma partitura!
Cheia de altos e baixos como os tons graves e agudos…
Se não canto…
Perco o encanto pela vida…
Me sinto perdida
É como se minha’lma aflita
Chorasse um pranto mudo…
Sem lágrimas…
Uma angústia sem fim…
Por isso…
Amar,
Rima com cantar…
Que pode rimar com vida,
Porque se não canto, não vivo!
Cantar rima com… respirar!
Se não respiro fico sem ar…
Então…
Se não canto… vivo por viver!
Cantar…
Amar…
Respirar!
Rima boa de se encaixar!
E se não tem rima propriamente dita nesse poema…
Deixe assim… porque é meu o tema…
É meu o sentimento…
Que tenho a todo momento de sentir até num simples vento… a música a me sussurrar!
E se saio da rima convencional…
Não faz mal…
Insisto em dizer:
Cantar rima com vida, sim!
Porque pra mim, cantar, faz meu coração disparar!
Então… um brinde à música!
Um brinde à vida!

Alê Torres – Atriz voltada para a comédia, mas sua paixão é cantar.  Também ama teatrar! Verbo inexistente… mas com um significado enorme! O palco a encanta! Ama flores, chocolate e o amarelo, acha singelo o cantar de um pássaro! Gosta de brincar com as palavras e transformar em versos e poemas! Quase morreu na pandemia, mas foi forte e sobreviveu, perdeu sua família, mas está aqui para contar sua história.
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Saudade da ausência futura

O marido de Laura viajou e ela ficou na cidade que mora com a filha adolescente, Liz, que em apenas alguns meses iria viajar e permanecer distante por um ano, a filha, de 16 anos se alegrou com a possibilidade de compartilhar a cama com a mãe por alguns dias e Laura se encheu de ternura por Liz ainda gostar de dormir com ela, esses momentos eram inestimáveis, as risadas, as conversas antes do sono, Laura ainda vive o luto da infância da filha que se foi, a adolescência traz muitas mudanças e mãe e filha sempre se deram muito bem, mas conforme Liz foi se tornando mais velha vieram os conflitos, os mal humores, as palavras atravessadas, a rebeldia, o relacionamento delas nem sempre era tranquilo e Laura tinha consciência que eram mudanças inerentes à essa fase da vida de Liz, nem por isso menos desafiadoras.

Em um desses dias Laura pediu para a filha arrumar a cama, Liz não gostou, respondeu rispidamente que não iria arrumar e que isso não era importante para ela, não queria perder tempo com isso, se para dormir com ela era o preço que teria que pagar, voltaria para seu próprio quarto, pegou seu travesseiro e edredom e revirando os olhos e pisando forte no chão, saiu batendo a porta do quarto de Laura, a mãe  tentou conversar, não compreendeu a ira da filha, Liz não quis conversa, Laura disse: “não vou aceitar que volte”, pronto, ponto final, não dormiriam mais juntas.

Laura sentiu uma dor quase física e chorou, chorou copiosamente como se alguém tivesse morrido, a filha estranhou essa reação tão intensa da mãe por uma simples discussão das muitas que tinham rotineiramente, a mãe seguiu chorando por muito tempo, horas depois Liz se aproximou de Laura e pediu desculpas, explicou que estava ocupada com seus afazeres e o pedido  para arrumar a cama veio em hora errada, se incomodou, e do alto de sua rebeldia adolescente veio a negativa, perguntou para a mãe como poderiam fazer as pazes e tentar resolver o drama, e por fim voltaram a dormir juntas e felizes na cama de Laura, Liz levou o edredom e travesseiro de volta, se abraçaram e se perdoaram.

Mais tarde em suas reflexões, Laura ainda comovida com a briga, a tristeza, a mágoa, o choro, a intensidade dos próprios sentimentos tentava entender e processar toda a “novela” que vivera, perguntava-se se a menopausa teria a sua participação em tudo isso, talvez sim, talvez ter ficado sozinha na cidade sem o marido, talvez um dia difícil e cheio de responsabilidades e desafios, talvez os pais envelhecendo e a vida que de constante, só mesmo a mudança, talvez a antecipação da saudade, essa que doía mais que tudo da ausência que sentiria de Liz em breve, muito breve.

Eliane Ibrahim – Bela Urbana, administradora, professora de Inglês, mãe de duas, esposa, feminista, ama cozinhar, ler, viajar e conversar longamente e profundamente sobre a vida com os amigos do peito, apaixonada pela “Disciplina Positiva” na educação das crianças, praticante e entusiasta da Comunicação não-violenta (CNV) e do perdão.

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Lavando louça

Pia cheia, lavar a pia, o povo pia,

Berra, grita, esperneia…

Panelas seguem seu rumo, não são lavadas

São apavorantes… porque? Me pergunto? Porque?

Ah imagino que as mãos cansem e o cérebro derreta.

Sujou, lavou, lavou, ensaboou, ensaboa que tudo passa

Lavar a louça? Muitos não lavam, enrolam,

Outros, se encorajam, superam e até meditam…

Assim como a vida, você lava ou não lava a louça?

Macarena Lobos –  Formada em comunicação social, fotógrafa há mais de 25 anos, já clicou muitas personalidades, trabalhos publicitários e muitas coberturas jornalísticas. Trabalha com marketing digital e gerencia o coworking Redes, roteirista e produtora do podcast Maca Comunica. De natureza apaixonada e vibrante, se arrisca e segue em frente. 

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O PENSAR

O pensamento existe com grande pujança entre nós,

E isso nos acelera  as opiniões, os nossos questionamentos e todos ao nosso arredor facilitando sem que percebamos o  respirar da poluição, que geramos como as hélices de um moinho!

Temps de l’enfance

“si on pouvait retenir le temps et le garder pour toujours”

c’est un dicton nigérien, issu d’un peuple qui souffre, et qui vitre le temps, c’est à dire qui vit la vie offerte pour ce temps.

temps de l’enfance

temps d’innocence

temps de chérir

temps d’ expérience

temps, temps, temps

vie, vie, vie

illusions, fantaisies, rêveries,

vouloir, abuser, être et maîtriser

bref, c’et le temps

de vivre!

Tempo de infância

Ele nos persegue vida a fora.

E nós, impregnada por esse tempo vamos nos vendo, a cada dia mais impregnados por ser esse aloucado resistente e nosso amigo frentista, que existe, insiste e persiste em viver dentro de nós e a cada segundo o vemos lá dentro amortecido por nós mesmo!

A capacidade de reconhecer a criança dentro de nós, não é tão simples e nem tão fácil, e também não existe um fator determinante, pois cada um de nós engloba uma festividade de vida incomum!

Como é difícil interferirmos em nossas atitudes insanas!

E posso explicar simplesmente assim…

Um dia normal em uma avenida, um carro pede passagem, e buzina, buzina e ao passar por mim esse carro abestalhado encosta em minha janela e o motorista diz:

Sai da frente ô! tá nessa moleza vai lavar roupa, ao invés de estar no trânsito!

Ah! e eu respondo:

Desce do carro que eu vou te mostrar!

É nesse momento que a “inha” toma conta de mim!

A criança sobe de um lugar que eu nem imaginava que ela estivesse.

E eu brigo, eu grito eu berro!

E o outro só queria pedir passagem! Graças a deus, se… não!

E eu fico ali berrando as minhas inconsequentes charadas… até me conformar, e sentir que o outro estava melhor que eu, não chegou a expressar o seu “inho” de seu dentro…

Agora me contem, quantos acidentes desse tipo, você já presenciou ou soube?

As brigas de trânsito, embaladas por um fio tão meteórico, mas tão tenaz, que raramente vamos dispor da resposta, de quem começou?

Qual “inho ou inha” se distraiu?

É, o mundo provoca tempestades na criança durante o seu desenvolvimento, será que essa criança não adormece?

Não, ela nunca adormece!

Ela está dentro do nosso eu… então o “tempo” não nos permite morrer para a vida!

Ele resiste, existe, insiste, persiste em nós!

“que bom se pudéssemos segurar o tempo, de modo que pudéssemos guardá-lo para sempre” (Ditado nigeriano).

Este ditado é nigeriano, vem de um povo, que sofre, luta e que vive o tempo, isto é, que vive a vida que lhe é ofertada por esse tempo.

Nós adultos temos algumas vezes saudades de um passado da infância, como se só a nós pertencessem, nos esquecendo de que o passar dos anos sempre reflete aquilo que de alguma forma vivemos com o outro.

Falar do:

Tempo de infância!

Tempo de inocência!

Tempo de benquerença!

Tempo de vivência!

Tempo, tempo, tempo!

Vida, vida, vida!

Querer, abusar, ser, ter,

Enfim é um tempo,

Tempo de viver!

PS: Sobre o “inho ou inha” exemplos: joaninha, robertinho… e assim vai e essa é a “inha ou inho” que está dentro de nós!

(e não é loucura da joaninha)

Joana D’arc de Paula – Bela Urbana, educadora infantil aposentada depois de 42 anos seguidos em uma mesma escola, não consegue aposenta-se da do calor e a da textura do observar a natureza arredor. Neste vai e vem de melodias entre pautas e simetrias, seu único interesse é tocar com seus toques grafitados pela emoção.

 

 

 

 

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Entre o trabalho e a Vida: A urgência do Tempo

O tempo é um professor implacável e paciente. Ele ensina lições valiosas, especialmente para aqueles que não encontram tempo para viver com qualidade.

Olho para trás e vejo minhas filhas, que a tão pouco tempo se apoiavam nas minhas saias, hoje caminhando com suas próprias forças.

O trabalho, esse devorador insaciável do meu tempo, consome meus dias e noites. E eu, o que conquistei?

Lembro-me do cheiro de comida quentinha que enchia a casa, trazendo consigo uma sensação de aconchego e amor. Hoje, esse aroma é uma lembrança distante. Comer? Só se houver tempo.

A casa, antes um refúgio limpo e organizado, agora é um campo de batalha contra a desordem. Faxina? Só quando sobra um momento. Roupas lavadas? Se der tempo.

E o trabalho continua, insaciável, consumindo cada segundo, cada minuto. As desculpas para procrastinar são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: menos tempo para o que realmente importa.

As saídas com minhas filhas? Antes frequentes, agora são raras. Eu, sem tempo. Elas, sem tempo. O risco de não aproveitar esses momentos é grande, e o arrependimento pode ser um companheiro constante.

Peço mais tempo, imploro por ele, mas o tempo não se dobra à nossa vontade.E então, percebo que é preciso mudar.

O tempo, com sua pedagogia silenciosa, me mostra que é necessário priorizar.

O trabalho é importante, mas não pode ser tudo. A vida não pode ser deixada para depois, para “quando houver tempo”.

Preciso reencontrar o equilíbrio, redescobrir o prazer das pequenas coisas. Sentir novamente o cheiro de comida caseira, ouvir a risada de minhas filhas, aproveitar cada momento.

O tempo é precioso e, uma vez passado, não retorna. Que essa narrativa seja um lembrete de que o tempo é um bem valioso. Que possamos aprender a usá-lo de maneira sábia, equilibrando nossas responsabilidades e prazeres, para que, ao olhar para trás, possamos ver não apenas conquistas, mas também momentos vividos com qualidade e amor.

Maria Teresa Cruz de Moraes – Bela Urbana, negra, divorciada, mãe de duas filhas moças, totalmente apaixonada por elas, seu maior orgulho. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e coordenação pedagógica. Ama estudar. Está sempre envolvida em algum grupo de estudo que discuta sobre práticas escolares e tudo que acontece no chão da escola. Ah, é ariana.