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Ainda bem que tem o amanhã!

Pra gente acordar,
Pra viver novas 24h,
Pra abrir os olhos, enxergar o novo dia.

Ainda bem que tem o amanhã,
Pra repensar as ideias,
Pedir perdão e também pra ouvir desculpas! Para se perdoar.

Ainda bem!

Amanhã,
Mesmo que tudo tenha dado errado ontem e a cabeça cheia de dúvidas… o amanhã existe.

Ainda bem que o novo dia nos recarrega e nos mostra outros caminhos.
Ele deixa para o ontem as amarguras, as inquietações e as decepções…

O amanhã se encarrega de tudo!
De mostrar pra gente um erro ou mostrar que acertamos o caminho.
Ainda bem!

Ainda bem que há o amanhã e a solução para muitas coisas.

Pra quem vive, sempre haverá o amanhã!
Ainda bem que dá pra confiar nele e entregar as soluções.

O universo se move a nosso favor.

Ainda bem que tem o amanhã, pra secar as lágrimas, pra amenizar o luto, para acreditar novamente que é possível! Sim, é.

Tudo cura com o tempo: a ferida, a dor da perda, a tempestade, os enganos. A fé está lá, no amanhã.

Ainda bem.
Ainda bem que existe o novo dia. Que a terra gira e que a luz do Sol ilumina novamente Amanhã.

Ainda bem que tudo passa!!
Que tudo passará…
Que o que sentimos hoje, amanhã pode mudar.

Ainda bem que tem o amanhã.
Amanhã, saberemos.

Vera Lígia Bellinazzi Peres – Casada, mãe da Bruna e do Matheus e avó do Léo, pedagoga, professora aposentada pela Prefeitura Municipal de Campinas, atualmente diretora da creche:  Centro Educacional e de Assistência Social, ” Coração de Maria “

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A vida quer viver

Repentinamente, algo me levou a visitar o bosque da cidade. Caminhei lentamente por um corredor de árvores, como se cada passo me conduzisse a um encontro que eu ainda desconhecia. Sentei-me em um banco e permaneci em silêncio, permitindo que o tempo desacelerasse.

À minha volta, a vida seguia seu curso. Pessoas transitavam, crianças brincavam, pequenos animais percorriam seus caminhos. Meu olhar repousou sobre a vegetação à minha frente. Raios de sol atravessavam os vãos entre as folhas das árvores, desenhando feixes de luz que pareciam revelar a delicada trama entre o visível e o invisível.

Naquele instante, não havia nada a fazer, apenas estar. A natureza, em sua silenciosa presença, parecia dizer aquilo que as palavras jamais alcançam. Permaneci ali, deixando que o bosque me habitasse tanto quanto eu o contemplava.

Pouco a pouco, percebi-me como um portal por onde a vida passava e acontecia através de mim e apesar de mim. Já não era eu quem contemplava o bosque; de algum modo, o bosque também me contemplava. Restava apenas abandonar-me ao fluxo e consentir em ser com aquele lugar.

Foi então que me dei conta de que havia algo naquela experiência que era comum e compartilhado por todos os que ali estavam. No entanto, havia também algo irredutivelmente singular: um acontecimento que se dava somente naquele lugar íntimo onde minha existência encontrava o mundo. Ninguém poderia viver exatamente aquela experiência por mim.

Essa percepção conduziu-me a uma compreensão ao mesmo tempo delicada e inquietante: se um dia eu deixasse de existir, também desapareceria uma forma única de encontro com o mundo. Não o mundo em si, que continuaria seu curso, mas a possibilidade singular de ele manifestar-se através da minha existência.

A princípio, essa compreensão trouxe uma discreta tristeza. Em seguida, porém, transformou-se em alegria. Se cada existência é uma abertura única para o mundo, então também somos livres para habitar nossa própria maneira de ser, sem a exigência de corresponder à experiência de ninguém. E, da mesma forma, podemos permitir que o outro seja aquilo que somente ele pode ser.

Algo do outro e algo em mim permanecerão sempre para além daquilo que se pode conhecer. Há uma dimensão inapreensível, um mistério que resiste a toda tentativa de captura. Ainda assim, aquilo que se revela e se comunica no encontro é suficiente para que uma ponte seja construída entre nós.

Talvez seja justamente o indizível que torne o encontro verdadeiramente fecundo. O que não alcançamos compreender não representa uma falha da relação, mas a preservação da alteridade. É essa distância, habitada pelo mistério, que impede a fusão, sustenta o diálogo e permite que cada encontro amplie nosso modo de existir sem jamais anular a singularidade de quem somos.

Ao contrário, é porque preserva essa distância que o encontro se torna possível. Nesse espaço, ambos podem habitar sua própria verdade e, simultaneamente, abrir-se à presença do outro. O cuidado torna-se, assim, um lugar de acolhimento da alteridade, onde cada um pode ser para si sem deixar de ser com o outro. É nesse processo de individuação que o ser transborda para o mundo, atualizando sua potência de existir nos mais variados modos de expressão.

Maria das Graças Guedes de Carvalho – Psicóloga. Ama a vida e suas dádivas como ser mãe, cuidar de pessoas e visitar o mar.

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O melhor do caminho é caminhar por ele

Direta, esquerta. Para.

Atravessa, segue em frente, contorna, marcha a ré, esquerda de novo. Para.

Meia-volta, deixa passar, subida, prova de morro.

Rua sem saída. Volta.

Descida íngreme. Pneu furado. Troca.

Estrada de terra. Asfalto.

Coloca primeira não deixa morrer. Segunda, terceira, quarta, quinta.

Radar. Vai com calma. Dá tempo.

Gasolina ou álcool? Dúvida cruel. Qual é a melhor escolha? Decide.

Segue em frente. Congestionamento. Faz parte.

Cabe mais um?

Derrapa, roda, “ta tudo sob controle”.

Atenção.

Bebida e direção não combinam. Acidente ao lado.

Paralelepípedo. Buracos na pista.

Animais na pista. Cuidado.

Ao lado, as paisagens diversas.

A trilha sonora é diversa também.

Chegou. Desliga.

O melhor do caminho é caminhar por ele.

Adriana Chebabi  – Bela Urbana, sócia-fundadora e editora-chefe do Belas Urbanas, desde 2014. Publicitária. Roteirista. Escritora. Curiosa por natureza.  Divide seu tempo entre seu trabalho de comunicação e mkt e as diversas funções que toda mulher contemporânea tem que conciliar, especialmente quando tem filhos. É do signo de Leão, ascendente em Virgem e no horóscopo chinês Macaco. Isso explica muita coisa.

 

 

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Esperar é caminhar

Há pouco tempo conheci o provérbio judaico “o homem faz planos e Deus dá risadas”. Na minha interpretação, acho que Deus dá gargalhadas!

Eu faço planos e traço minuciosamente o trajeto a ser percorrido. No entanto, a rota inicialmente traçada sofre alterações no decorrer da caminhada. São nesses momentos de mudanças que me deparo com as “gargalhadas divinas”.

Nasci e me criei na agitação de São Paulo. Depois dos trinta anos de idade, fui para o interior para acompanhar meu marido nas mudanças do trabalho. Morei em Bauru, morei em Campinas. Atualmente, voltei para São Paulo e estou penando para enfrentar o ritmo da minha cidade.

Eu já encarei a mudança de carreira profissional. Minha primeira formação é Administração. Por dez anos trabalhei ativamente em funções administrativas, mas minha grande paixão é ensinar. Então, quando tive uma oportunidade fiz o curso de Letras e depois de alguns anos comecei a dar aula, unindo minha paixão ao meu ganha-pão.

Desde pequena meu sonho é ser mãe. Segui o caminho conhecido tradicionalmente, que é namorar, noivar e casar. Estou casada há 13 anos, numa união cheia de paz e amor. Mas, os filhos como sonhados e planejados não vieram. Meu marido e eu fizemos tratamento de reprodução assistida e não deu certo. A vida é assim! Não temos controle sobre o fôlego da vida.

Meus planos foram desconstruídos e novas construções começaram a surgir. A vida apresentou o caminho da adoção. Começamos a jornada e estamos habilitados para recebermos nossos filhos. A qualquer momento o telefone vai tocar e a vida vai nos levar para outros caminhos. Enquanto esperamos, vivemos!

Eu poderia escrever muito e profundamente sobre cada etapa, mas por hoje só considero um provérbio bíblico que me acompanha “o homem faz planos, mas Deus dá a palavra final”. Continuo fazendo meus planos, com menos rigor, porque aprendi que a cada mudança eu me desenvolvo muito mais.

Viver exige escolhas e cada escolha apresenta um caminho que precisa ser trilhado. Esperar é caminhar.

Miriam Camelo de Assis – Bela Urbana, alguém sendo constantemente reformada pelas palavras. Formada em administração e letras. É professora de língua portuguesa por profissão e paixão. Ama artesanato e uma boa conversa.